Esta semana, acompanhei a equipe de esportes à uma pauta sobre o Esporte Clube Vitória. O destino da reportagem foi o Estádio Manoel Barradas, vulgo Barradão. No caminho, recebi orientações do atencioso e paciente repórter Angelo Paz, que me explicou –
entre as brincadeiras do impagável, motorista Ronaldo – o assunto da matéria: a oscilação de desempenho do time em campo, que após boa performance em um jogo, apresentava um mau desempenho na partida posterior. Além da eliminação na Copa do Brasil.
Nunca fui muito ligado em futebol, mas sempre estive rodeado por torcedores do Bahia, já que 90% da minha família é declaradamente tricolor. Por esta razão, meio que virei torcedor do Bahia por osmose, mesmo sendo, como costumo brincar, na teoria. Com a influência dos amantes do esquadrão de aço, tinha a imagem do Barradão de um lugar sujo, feio, por estar perto de um depósito de lixo. Ouvi até que haveria o risco de contrair doenças. Claro, sabia que de certa forma existia um exagero de torcedores fanáticos, mas acabei comprando essa ideia e também, obviamente, nunca houve interesse da minha parte para ver a veracidade desta história.
Ao chegar ao estádio tive a surpresa. O lugar é bem bonito, cercado por árvores grandes – aliás, há bastante verde em volta do Manoel Barradas, o que dá uma beleza ao lugar. Talvez não tenha a estrutura que a Fonte Nova tinha e que a Arena agora tem, o que não vem ao caso neste momento e muito menos é intenção fazer comparações. Naquele momento estava quebrando um preconceito que tinha. Talvez até eles tenham a mesma ignorância em relação ao estádio, que eu tinha até essa primeira visita.
Pois bem, voltando ao meu dia-a-dia a tiracolo. Assisti o treino que acontecia aquela tarde. Havia vários profissionais de imprensa, praticamente todas as principais empresas de comunicação estavam reunidas, apesar de trabalhar em empresas concorrentes, todos interagiam de forma amigável entre si. O assunto claro, não podia deixar de ser, o futebol.
Ao fim do treino, hora da entrevista coletiva. Todos os jornalistas, junto a câmeras e operadores de áudio se aglomeraram naquela minúscula sala de imprensa para ouvir o jogador Nino Paraíba, em evidência já que no jogo anterior havia saído por estar sentindo dores musculares. O lateral-direito foi sabatinado pelos jornalistas sobre diversos assuntos que envolviam o time.
Nino foi bem escorregadio, desconversou várias vezes sobre assuntos mais polêmicos, mas também não respondeu bem outras questões mais amenas. Estratégia ou despreparo? Ou os dois? Talvez o despreparo de Nino seria uma estratégia da diretoria na tentativa de driblar a imprensa? Não sei. So sei, que na volta para a redação, comentei sobre estas percepções, confirmadas e explicadas por Angelo, a partir do seu olhar e experiência.