‘Errar é humano, culpar outra pessoa é política’

‘Errar é humano, culpar outra pessoa é política’

Quem se lembra daquelas aulas de matemática chata, onde os alunos conversam, jogam e brigam enquanto o professor esperneia por silêncio? Pois, foi exatamente isso que aconteceu na sessão da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) que deveria discutir a criação da chamada CPI do Futebol. Aliás, isso sempre acontece, todo mundo fala e quase ninguém escuta. Os poucos deputados presentes ficam de papo ou no celular, durante os discursos de colegas.

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Não foi minha primeira vez, mas nem por isso esqueci. O futebol mobilizou um considerável número de jornalistas para a Alba, muitos nunca tinham estado no local, o que, de fato, pode ser complicado. A sessão foi um prato cheio para aula de cobertura política: gritaria, articulações, declarações em off, revelações comprometedoras, e , claro, pizza. Fui com o excelente Rafael Rodrigues, que deu uma aula de como sondar os parlamentares, prever cenários e conseguir informações valiosas, ainda que sob o compromisso de não nomear os bois.

Os trâmites da cobertura na Assembleia são subjetivos. Variam de acordo com o veículo, a simpatia do repórter e o bom humor das fontes do dia. Veículos maiores, geralmente, são bem recebidos pelos “gatekeepers” posicionados na porta do famoso cafezinho (onde a maioria das entrevistas acontece), puxar papo com um sorriso no rosto também ajuda. Neste dia especificamente, o movimento de manada foi acentuado, já que falar com os principais envolvidos eram desejo de todos e com muitos novatos essa imitação era inevitável. O diferencial está nas perguntas elaboradas, na observação dos discursos e nos telefonemas feitos da redação após o retorno, e,  como diz Nelson Rodrigues, não se faz política e futebol com bons sentimentos.

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A CPI foi arquivada, já que os sete deputados governistas que haviam assinado o requerimento retiraram seus nomes.  A atitude provocou a contrariedade da oposição e a divulgação dos nomes pelo deputado Uziel Bueno foi seguida de acusações sobre delação e inconstitucionalidade. Mas, a experiência foi ótima, quase antropológica, e, ainda me rendeu um “Colaborou Natália Falcón” ao final do texto.

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