O programa Jornalismo de Futuro entrou numa fase nova essa semana. Agora as meninas e os meninos do futuro estão revezando entre a redação online do Correio 24 Horas e a redação do jornal impresso. Assim, metade da turma está acompanhando os repórteres do impresso nas apurações das pautas, entre eles, eu, que, de cara, escolhi uma pauta de polícia, no primeiro dia.
Sempre me disseram que cobrir polícia é um trabalho árduo, chocante e que pode mudar completamente seu olhar sobre o jornalismo e sobre o trabalho do jornalista. Desde quando decidi por essa profissão, de rotina tão maluca e viciante, soube que pautas de segurança davam trabalho. E ontem eu cobri minha primeira dessas pautas. Saí do jornal com a fotógrafa Tayse Argolo para acompanhar a repórter Luana Ribeiro na chamada “apresentação dos presos”. A experiência foi válida. Frio na barriga, fui conhecer como a Polícia Civil apresenta à sociedade, através dos jornalistas, as prisões mais importantes dos seus últimos dias.
Para meu deleite (nem sei se cabe usar essa expressão, nesse caso), foram duas apresentações: a primeira era uma quadrilha que assaltava idosos em bancos e supermercados e a segunda se tratava de três mulheres presas em flagrante com 30 kg de maconha. Aceitando a correria em apurar os fatos, eu também saí em busca de informações. Perguntei, escutei, copiei, gravei as falas dos delegados envolvidos. E depois saí de lá com uma dúvida monstruosa se tinha ou não feito tudo certo. Voltando para a redação, repassei as informações aos colegas que estavam no aquário atualizando o Correio 24 Horas.
No entanto, para mim, o mais interessante, para não dizer pitoresco, das apresentações, foi perceber como esse momento é a hora em que o delegado tem seus quinze minutos de fama. É quando a polícia mostra os resultados das suas ações à sociedade, que fica certificada de que eles trabalham e que este trabalho surte efeitos. Os delegados aparecem bonitos no vídeo, os criminosos escondem os rostos e os repórteres, bem, esses, esperam que nada falte à sua apuração ao chegarem na redação e que os “sem rostos” digam alguma coisa que valha três segundos no tape ou uma linha de lead.