Como vocês leram nos últimos textos, após duas semanas de preleção com nossos “treinadores”, entramos em campo! Na redação do Correio 24 Horas, também conhecida como ‘aquário’, logo aprendemos a lidar com um aparente inimigo, o barulho. Os teclados não param, o telefone toca e Wladmir orienta os ‘jornalistas de futuro’. Vez ou outra, risadas surgem no aquário. Por fração de segundo, o pescoço volta-se ao monitor de onde vieram os risos, mas retorna rapidamente a notícia que está sendo escrita. Sim, apesar do barulho, em poucos minutos a sede da apuração e atenção no texto geram uma concentração que nunca imaginei que viesse tão rápido.
A adaptação veio também ao utilizar algo que nunca gostei, nem para lazer: O telefone. Em meio a um turbilhão de números de instituições, as duas notas primeiras notas que consegui para o site saíram do aparelho inventado por Graham Bell, que para uso pessoal continua sendo chato, mas revelou-se um magnífico instrumento de trabalho. Além disso, a busca pela notícia no ambiente de uma redação lhe envolve de tal forma que as ansiedades do estudante, que não sabe como será atendido, caem por terra.
Quando as ligações para órgãos como a PM e Transalvador não trazem novidades, o telefone fica de lado e vamos para a web. Os minutos sem novidades em Salvador são uma excelente brecha para apurarmos o que acontece no interior do estado, no Brasil e no mundo.

Hoje, em um desses momentos, vi numa página do interior que uma criança de dois anos havia morrido afogada na piscina de uma fazenda. Até então eram muito poucas as informações, e eu não sabia sequer o sexo da criança. A pauta é aprovada, iniciando-se a busca junto com Luana Nogueira pelo número da delegacia de Tanquinho (confesso que nunca tinha ouvido falar nessa cidade) à 135 km de Salvador.
Após algumas ligações consigo o contato com a delegada da cidade. Os detalhes do ocorrido, como o fato de que o garoto morreu um dia antes do aniversário, me deixam perplexo durante a conversa. Sabia que em algum momento noticiaria a morte de alguém, todavia, acreditava que seria por algum motivo mais comum – não menos absurdo – como um roubo seguido de morte, por exemplo. Mas foi um garoto que tinha uma vida inteira pela frente, e que supostamente morreu por desatenção. Perguntas feitas, encerro a ligação, informo o ocorrido, respiro e ainda perplexo escrevo: “Garoto de dois anos morre afogado na véspera do aniversário”.
Olhando para as últimas 48 horas percebo que começo a aprender um dos maiores méritos do jornalismo: Saber adaptar-se é fundamental, seja com barulho, ao usar o telefone, na busca por um fato interessante sem perder tempo, ou ainda tentando ser menos emoção e mais razão. Se nesses dois dias vivenciei coisas que nem couberam nesse texto, imagino com motivação o que está por vir nos próximos dois meses.