De parto normal

De parto normal

Não entendo muito bem de futebol, também não tenho muita ambição pela área, mas fiquei animada com a ideia de acompanhar uma matéria que comprovaria a superioridade de vice-campeonatos do Bahia em relação ao Vitória. O repórter, Alexandre Lyrio, mais gente boa impossível, dividiu comigo os personagens que seriam entrevistados e as fontes que auxiliariam no levantamento dos dados.

Após o sucesso nos números, ao menos no que se refere às finais BAxVI, fomos para rua, mais especificamente Avenida 7 (piadas 7 a 3 à parte). As figuras rubro-negras uniformizadas brotavam, mesmo com a chuva que já dava o ar da graça, difícil mesmo era achar um tricolor. Já voltávamos para o carro da redação quando as listras vermelhas e azuis apareceram. O uníssono foi inevitável: “Olha um Bahia ali”. Melhor que encomenda, além de apaixonado pelo time, o torcedor era um dos 44 que compareceram a final no Barradão.

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Enfim, de volta à Federação, fui acatar as sugestões de Linda: “Acompanhe a construção do texto. Ele é ótimo”. De fato, foi nesse momento que me deparei com a o ápice do poder de síntese. Inserir a fala de oito fontes e vários números em dois retângulos de uma página. Fui motivo de riso quando expressei meu espanto. “Mas não tem outra página? Como vai ser isso?!”. Pois, ouvi que terão dias em que mesmo com muita apuração na rua, por “n” motivos a matéria não entra, ou pior, a parte que você menos se dedicou é o que vai receber o maior destaque. Foi o que aconteceu.

Já sabíamos da fantástica história de dois caixas de casa lotérica que apostaram e o Bahia passou o dia vestido de mulher. Mas, só com a visão da foto é que o enredo ficou completo e acabou sobrepondo a ideia inicial. Soma-se a isso a orientação do editor, nesse caso de esporte por conta do viés (Lyrio cobre Cidade), e a habilidade do repórter com o texto e os (muito) cortes necessários. Nasceu o texto que ilustrou, divertiu e informou os leitores do Correio* nessa terça-feira (21).

 

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