Farejando o terreno

Farejando o terreno

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Foto: www.publicdomainpictures.net

O programa de Jornalismo de Futuro, que agora ocupa as minhas tardes e as de outros nove estudantes de jornalismo de Salvador, começa sem pressa de pôr a mão na massa. Ainda não é pedido à gente que escreva nada com exceção destas notas esparsas, que devem entrar no ar pelo menos duas vezes por dia durante os próximos três meses.

A primeira semana é de encontros com os editores – para nosso deleite e provável dor de cabeça deles, já que essas reuniões acontecem na hora em que a chapa esquenta: é de tarde que eles também têm que sentar e desenhar o diário do dia seguinte.

Jairo Costa, editor de política, é meu amigo de longa data, e foi com gosto que notei que ele carrega para a profissão as características que sempre observei nos nossos encontros de mesa de bar: um cara de opiniões sólidas, sempre apressado, cordial com todo mundo e que só anda de camisa de botão.

Linda Bezerra é chefe de produção, cargo que precisa ser ocupado por alguém que acorde, durma e sonhe com notícia (como se isso não fosse um pouco a atribuição de cada um dos operários da informação). Ela é a própria figura poética que descreveu na reunião inaugural, a do pauteiro, que precisa estar atento e forte pra qualquer coisa – qualquer coisa mesmo – que perturbe o cotidiano da vida ordinária.

Oscar Valporto eu vi mais vezes: à paisana, misturado entre os estudantes no auditório; integrando a cúpula dos temidos entrevistadores (assim como Linda, de quem falei acima; Juliana Guttman, minha amada professora, e a doce e insistente Carmen Rezende, dos Recursos Humanos); passeando, sôfrego, entre as abas do navegador de internet, quando ainda não sabia o que ia sair na página três do dia seguinte; e no shopping, quando eu gritei seu nome da escada rolante e ele fez cara de “nunca vi mais gorda”.

Foi engraçado conversar com Márcio Costa, editor de imagens do jornal, que falou sem delongas sobre a função informativa desejada em cada foto ou gráfico que é encaixado nas páginas. Nos revimos ao fim da reunião, naquele inevitável encontro dos fumantes, e ele aproveitou para falar de como é difícil receber a liberdade como tarefa – nós, da nova turma (assim como nas outras três), podemos escolher qualquer assunto como tema do produto que vamos elaborar, e, segundo ele, é justamente aí que a coisa embola.

A Eduardo Rocha, editor de esportes que usa com graça os jargões do futebol na retórica, eu confidenciei a vontade e a descrença na minha possível cobertura esportiva. A parte que geralmente é assunto só de meninos começou há pouco a me interessar muito até por exercício de profissão, mas eu temo o dia em que terei que usar aqueles termos e lembrar daqueles nomes. Pelo menos – contei pra ele – eu já sei reconhecer um impedimento.