Colocando a máquina para funcionar

Colocando a máquina para funcionar

Foto: Natalia Falcon

A editora de produção do Correio*, Linda Bezerra. Foto: Natalia Falcon

Alguma vez você já parou para pensar como todas aquelas notícias e reportagens dos jornais são escolhidas para serem publicadas e estão lá todos os dias? Provavelmente, sim. Assim como os próprios jornalistas, sejam os repórteres e editores das redações ou os pesquisadores da academia, que se debatem há décadas tentando explicar em que consiste a atividade jornalística.

Na faculdade de jornalismo, aprendemos que o conteúdo de um jornal é desenvolvido a partir das pautas que, em resumo, são as orientações dadas ao repórter sobre as informações que eles devem e precisam apurar para conseguirem escrever uma boa matéria. As pautas – e por consequência, os jornalistas – são norteados pela linha editorial do jornal e, também, pelos critérios de noticiabilidade e/ou valores-notícia.

No Correio*, a tarefa de produzir as pautas é de responsabilidade de Linda Bezerra, editora de produção do jornal, que está há cerca de 15 anos no jornalismo. Para ela, a pauta é o coração do jornal e a função primária do jornalista é contar bem uma história, oferecendo o maior número possível de olhares sobre a realidade em que vive.

E isso vai desde dar uma divertida capa sobre o clássico Ba-Vi do futebol baiano, estampando o provocante “Ahhhh Lelek lek lek lek lek”, até questões que são repercutidas durante todo um dia na cidade, como a noite em que uma tempestade iluminou os céus de Salvador com relâmpagos e assustou muitos soteropolitanos, ou, ainda, o polêmico e obscuro caso da morte do estudante da UFBA, Itamar Ferreira, cujo corpo foi encontrado numa fonte na Praça do Campo Grande em meados de abril.

Linda diz estar ligada ao que acontece ao seu redor durante 24h, característica que, para ela, é essencial para um pauteiro. “Até dormindo eu já tive ideia para pauta”, conta, arrancando risos dos participantes do Jornalismo de Futuro. Com várias edições do Correio* nas mãos, ela afirma que o jornalista tem que se imaginar como leitor; deve pensar se aquilo interessaria sua leitura e se vai interessar ao público do jornal.

“O jornalista deve seduzir o leitor. A pauta deve ser pensada. Não só o quê será coberto, mas como vai ser o texto”. São afirmações da responsável pela gênese diária do Correio*. De acordo com Linda, o repórter deve aproveitar todos os recursos possíveis para contar uma história. Deve pensar qual recurso mais adequado para cada pauta. Abrindo o jornal em uma reportagem, ela aponta as várias formas de trazer informação, seja através de infográficos, números ou fotografias.

Mas, para conseguir realizar essa missão, o “cabra”, como diz Linda, precisa ser criativo e, antes de tudo, apurar. A apuração surge como a substância, o ingrediente que vai dar liga ao texto jornalístico. E a curiosidade é a principal fonte que alimenta essa habilidade essencial para os jornalistas: “jornalista que não é curioso não vai a lugar nenhum”, diz, destacando que, para se realizar uma boa apuração, a chave é observar, investigar, pesquisar, apresentar dados e oferecer um olhar sobre os fatos.