Publicar uma foto no jornal vai muito além de apenas ilustrar uma reportagem. É preciso que a imagem, ao mesmo tempo em que agrega informações, mostre ao leitor o que ele lerá naquela notícia, de modo que lhe gere interesse. Tornar isso uma realidade diária fica a cargo de Márcio Costa, editor de fotografia do Correio*. Ele coordena uma equipe de seis fotógrafos que atua em todas as editorias.

Pronto para as perguntas desde o inicio da palestra, ele afirmou que o fotógrafo não pode se restringir aos poucos locais da cidade por onde costuma passar. De forma veemente, afirmou que precisamos conhecer as regiões da cidade que rendem boas imagens. Um de seus exemplos ocorreu durante a realização de uma reportagem sobre internação compulsória na ‘cracolândia’ da Rua do Gravatá, no Centro Histórico de Salvador.
Um homem caminhava indeciso, conversou com alguns usuários de drogas e saiu. Minutos depois voltou decidido, sacou uma arma da cintura, carregou e fez três disparos contra um suposto repassador de drogas. Presente em um dos “locais pulsantes” da cidade, a equipe estava no local certo na hora exata, e fez as imagens que renderam a capa da edição do dia 22 de janeiro.

As perguntas seguem. Márcio relembra o período anterior às maquinas digitais, com o máximo de 36 fotos por película, que obrigava a troca dos rolos de filmes durante uma cobertura, e a procura pelas melhores fotos nos negativos. Apesar das dificuldades técnicas, ele ressaltou que naquele período o número limitado fazia os fotógrafos pensarem mais, gerando uma maior diversidade de imagens.
A busca por imagens diferenciadas deve ser ainda maior durante a cobertura de um evento. Ele aponta como um problema o agrupamento de fotógrafos, por exemplo, em uma partida de futebol, resultando em fotos semelhantes publicadas em diversos jornais e sites. A busca pela originalidade dever constante, uma vez que “a fotografia permite você enxergar o que as pessoas não costumam ver”.