A mágica do jornal impresso

A mágica do jornal impresso

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Quando você começa a fazer parte de um jornal, você passa a enxergar aquele conjunto de notícias impressas nas mãos das pessoas de uma forma diferente. Entender o modo como o jornal funciona e quem trabalha para que ele chegue todos os dias, cheio de notícias, nas mãos dos leitores, é uma sensação que nunca tinha experimentado.

Bem no início da imersão, fase que os alunos do Correio de Futuro acompanham os repórteres em suas demandas diárias, entrei em um ônibus e o cobrador estava com o CORREIO dobrado em cima da mesinha, comentando com um passageiro a notícia que estava ali, na capa, e que eu tinha ajudado a apurar, sobre o mafioso italiano de 84 anos, envolvido com o tráfico internacional, sendo responsável por testar a pureza da cocaína em um laboratório localizado na Ladeira dos Aflitos.

Tive que me segurar muito pra não me empolgar e falar: “Ai moço, foi babado mesmo essa história né? Cê acredita que eu ajudei a fazer?”, porém me contive, fiz a plena, e passei pela catraca como qualquer pessoa normal que não tem uma reação histérica ao ver um jornal.

Em outro dia e em outro ônibus, vi um passageiro lendo uma notícia que tinha ajudado a apurar, sobre um acidente em Seabra. É quase irreal a sensação de ver a pessoa lendo no dia seguinte informações que você passou horas se esforçando para conseguir, e eu diria que quase compensador. De novo, deu vontade de gritar pro leitor que eu tinha ajudado a fazer aquela matéria, mas me contive novamente.

O fato é que, quando você faz parte do processo de produção, o jornal de papel vira algo muito mais especial do que parece. Eu criei um apego enorme a ele. Por acompanhar a rotina da redação, acabamos sabendo mais ou menos o que vai sair no jornal desde o dia anterior, a depender da editoria em que estamos, e a gente fica com uma ansiedade roendo por dentro para ver tudo isso sair no papel no dia seguinte.

Me lembro quando a primeira matéria com o meu nome assinado saiu, e como eu fiquei encantada com isso. Confesso que até guardei numa pasta. Guardei a primeira, a segunda, a terceira e tenho certeza que irei guardar todas que tiverem o meu nome escrito no jornal.

Mas Maria Clara, se todas essas matérias estão no online (e ainda mais completas), pra que diabos você vai ficar guardando esses papeis? Perdão, mas a lógica digital não se aplica aqui. A aura de ter o seu nome escrito no jornal impresso é diferente. Me pergunto se os jornalistas com mais experiência ainda se sentem dessa forma ou se já estão acostumados a ver o seu nome no jornal. Eu espero sinceramente que nunca se acostumem. Um pouco de deslumbre não faz mal a ninguém.