O mau humor da comunicação

O mau humor da comunicação

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Desde que decidi fazer Jornalismo, me deparei com a cara feia de muita gente (e põe muita nisso!). No entanto, um dos melhores ensinamentos que minha mãe me deu foi a respeito de viver minhas próprias experiências, sem me basear no discurso ou na vivência de outras pessoas apenas. O que funciona pra mim pode não funcionar para o outro e vice-versa. Pois bem. Resolvi encarar e aqui estou: prestes a colar grau e me tornar, de fato, uma jornalista.

A recepção pouco satisfatória das pessoas que viviam ao meu redor diante da escolha do curso era ruim, mas “engolível”, uma vez que não levo muito a sério opiniões de gente que nunca passou pela experiência e fala como se fosse PhD no assunto. O espanto se deu, na verdade, quando fui para a faculdade. E é sobre isso que gostaria de falar: o mau humor da comunicação (dos jornalistas, pra ser mais específica).

Eu cheguei extremamente fragilizada a Salvador – tendo em vista a mudança repentina de cidade, o desânimo das pessoas em relação à minha escolha e outras cositas mais que ocorreram nesse período – mas confiante de que encontraria uma recepção mais afável quando começasse o curso. Ledo engano, amigos.

Na minha primeira semana de aula, mais caloura do que nunca, escutei de um professor: “Por que vocês estão aqui? Vão fazer EaD em Direito!”. Aquilo foi uma facada no meu coração. Até hoje não sei descrever a sensação. Porém, o pior, na verdade, é que isso continuou ao longo do curso. O ranço do Jornalismo parece epidemia: contamina professores, alunos e colaboradores. Um ranço que me inquieta enormemente!

No quinto semestre da faculdade, um determinado professor usou a expressão “mau humor da comunicação” para falar sobre a percepção que os profissionais têm a respeito da área e a maneira como atuam. Segundo ele e os estudos que serviram de base para sua afirmação, há uma espécie de “disposição negativa” para trabalhar – e creio que isso traduz bem o que quero expressar.

Da faculdade para o mercado nada mudou. Durante os estágios de assessoria e redação, a percepção não se mostrou diferente. Quem chega com gás e vontade recebe um balde de água fria (fria não, quase congelada!). É como se quisessem tirar o fôlego dos recém-chegados como eu. Parece que ninguém trabalha satisfeito, todo mundo está fazendo suas pautas e matérias de má vontade, e há uma resistência ferrenha aos novos que querem agregar ao jornalismo.

Não foram poucas as vezes em que “entrei em crise” com a minha escolha por conta das atitudes dos profissionais experientes com os quais tive contato. As pessoas faziam me sentir culpada, e, ao mesmo tempo, ingênua e bestinha por querer ser jornalista.

Eu sempre penso que, diferente das tradicionais Medicina, Engenharias e Direito, família nenhuma força você a ser jornalista. Você está lá porque quer, escolheu esse curso porque quis e já sabendo o que te esperava pela frente – pelo menos algumas coisas. Então por que essa amargura toda, mores?

Não entendo e prefiro nem entender, na verdade! Continuo seguindo o ensinamento de mainha. Filtro o que escuto e levo pra mim o que é construtivo. O resto eu jogo fora, vou vivendo a MINHA vivência (com o perdão da redundância intencional) e continuo caminhando com os meus sapatos – o do outro pode apertar ou ficar folgado demais, galerinha!