Tiramos as rodinhas

Tiramos as rodinhas

(Reprodução/Internet)

(Reprodução/Internet)

A gente atravessa alguns ritos de passagem na vida. Coisas como perder o primeiro dente, a primeira vez sozinho no cinema, a primeira volta de bicicleta, livre de rodinhas. Todos esses marcos, comuns à infância, vão nos fazendo crescer e  experimentar a independência. Mas aí você leitor pode estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver com o Correio de Futuro? Nada. Ou tudo. Sinto como se o programa fosse assim e que, nós Futuros, aos poucos, também vamos passando por ritos como os da infância, conforme passam os três meses.

Se você voltar para o dia 19 de novembro –  que só tem dois meses mas parece que foi em 2017 – você vai lembrar que a gente começou ouvindo, absorvendo, como uma criança que aprende, que escuta um professor. Quando chega a imersão saímos da redoma e proteção da redação. Começamos a experimentar a rua, a vivência do jornalismo de fato, mas fazemos isso sempre do lado de um jornalista formado. É como passear de bicicleta tendo as rodinhas de apoio que garantem evitar quedas e machucados. Sair com um profissional experiente junto com a gente garantia que, no fim, a nossa inexperiência não iria prejudicar a edição do jornal no dia seguinte.

Agora tudo mudou! Tiramos as rodinhas da bicicleta. Chegou o momento de fazer o nosso produto. Tema escolhido, conceito definido, reunião inicial com os editores das matérias para entendermos os próximos passos para fazer um bom  trabalho, passamos a sair atrás das nossas fontes e de tudo mais que nos leve à melhor matéria possível. Tomamos a decisão de trabalhar em dupla e, lógico, temos o apoio das professoras orientadoras e dos editores do produto que estão bastante presentes, mas é diferente caminhar com as próprias pernas.

Confesso que deu um medo. Estar por conta própria ligando para as fontes, saindo para as entrevistas presenciais, pensando nas perguntas e melhores caminhos para conduzir a entrevista, além de extrair as melhores histórias e todas as informações necessárias nos confere uma independência muito boa. Olhando para trás, é muito bom perceber que ela é resultado de uma caminhada que começou bem antes. Cada palestra, saída de observação, cada matéria assinada com um jornalista formado, nos deixa mais seguros para saber que o produto está em boas mãos: as nossas.