(Reprodução/Internet)
ou Cadernos dos Sonhos
Eu sou ator. Desde a infância, o teatro e as artes, por consequência, fizeram parte da minha vida. O que começou como um remédio para tentar dar jeito na timidez de criança se transformou em paixão e de paixão, em sonho. Nos meus sonhos de mundo ideal, a arte e o trabalho como ator seriam a minha única preocupação e a garantia do meu sustento. Os caminhos foram me levando por outros lugares, mas eu sempre busquei formas de manter a arte ligada às minhas atividades de trabalho. Essa foi, inclusive, uma das razões que me levaram a escolher o jornalismo: a possibilidade de unir, a nova profissão e a arte de alguma forma.
Toda essa introdução eu fiz só para dizer que, quando soube que faríamos imersão passando por todas as editorias dentro do CORREIO, esperei ansiosamente pelo dia em que sentaria entre os membros da equipe do Vida – o caderno de cultura do jornal. Era o melhor de dois mundos, a junção do jornalismo com a arte que tanto amo. Passei pelo Vida na segunda semana de imersão. Escrevi uma matéria sobre uma exposição do francês Pierre Verger, que no dia seguinte estava publicada no jornal impresso. A experiência foi maravilhosa.
Nesta última semana de imersão, fui pego de surpresa. Acontece que eu consegui terminar o rodízio das editorias três dias antes do fim do período que antecede a produção do nosso produto. Estava livre para escolher o que repetir nesses três dias. Se você dissesse isso ao Gabriel de dois meses atrás, ele te responderia sem pestanejar que gostaria de passar todos os três dias em cultura. Mas esse Gabriel aqui não respondeu isso. É claro que uma relação de amor cultivada há anos não seria desconsiderada assim. Mas esses meses de Correio de Futuro abriram meus olhos.
Acho que essa é a maior qualidade do programa Correio de Futuro. Enquanto os estagiários comuns entram no jornal para ocupar uma vaga de um caderno ou editoria específica, quem passa pelo Futuro tem a chance de passear e experimentar o trabalho e a realidade de várias editorias. Pelos textos aqui do blog – os meus e dos meus colegas – você, leitor, pode perceber que as experiências são muito diversas. Recapitular todos os meus dias de imersão aqui iria deixar imenso esse relato, mas me vejo, hoje, com várias opções que me deixariam feliz e realizado numa rotina de trabalho futuramente. Cultura não está mais sozinha.
No fim, dos três dias que sobraram, escolhi acompanhar em dois deles os trabalhos da Minha Bahia – editoria de cidade. Escolhi porque lá tive as experiências mais diversas dessa imersão. É aquele tipo de trabalho em que tudo pode acontecer e que cada dia é um novo dia. Junto com o Bazar – e a tão repercutida matéria do azeite – Minha Bahia se uniu à cultura na tríade de “cadernos dos sonhos”. O último dos três dias, claro, será dedicado à minha velha conhecida. No fim das contas o que levo de mais positivo disso tudo é poder enxergar novos horizontes na profissão que escolhi.
Edit: Escrevi esse texto antes de receber uma missão. Acho que estamos fazendo algo bem feito nessa turma de Futuro. Alguns de nós fomos convocados para reforçar a equipe do jornal. Com uma demanda extra por conta da edição comemorativa de 40 anos do CORREIO, publicada ontem, eu e mais três futuros fomos convocados a sair um pouco da imersão de observação e partir pra prática. Nossos últimos dias de imersão foram com as nossas próprias pautas para dar conta, e eu acabei nem passando de novo pelo Vida. Nada a reclamar! Jornal é assim, tudo muda o tempo todo ao sabor dos acontecimentos.