Ladrões do Tempo

Ladrões do Tempo

Colagem: Quintino Brito

Quando ainda estávamos na etapa das palestras no Correio de Futuro, uma pessoa, do Marketing eu acho, disse que nosso concorrente não é a Tribuna ou o A Tarde, mas sim o tempo das pessoas.
E, realmente. Nós “roubamos” o tempo de milhares de pessoas, que perdem alguns minutos da vida em que poderiam estar fazendo qualquer outra coisa. Mas não, estão lendo uma reportagem nossa.
Neste domingo, por exemplo, saiu uma reportagem sobre a falta de Benzetacil nas farmácias da Bahia, que eu fiz com Gabriel Amorim e Clara Gibson. Ela ficou enorme e eu a li cronometrando o tempo. Percebi que demorei cerca de 8 minutos. Ou seja, centenas, talvez milhares, de pessoas ficaram por quase 10 minutos entretidas por algo que eu ajudei a fazer e escrever.
Isso é louco, legal e desesperador.
Quando eu escrevo uma notícia, nota ou reportagem, nunca penso nisso. Sempre escrevo no modo automático e eu acabo pensando apenas que o editor vai ler.
Mas esse fato de que várias pessoas irão ler traz uma responsabilidade muito grande. Eu tenho que fazer o trabalho da melhor maneira possível para garantir que esses minutos da vida daquela pessoa não sejam um desperdício. Além de escrever o melhor texto, tenho que ter a melhor apuração também. Afinal, um jornalista quando apura ou pergunta algo ele não está o fazendo apenas por ele, mas sim representando uma dúvida ou as reclamações de milhares de pessoas.
E a melhor coisa acaba sendo o feedback que o leitor dá. Desde um comentário elogiando a matéria na página do Facebook do jornal a, até mesmo esses dias, quando eu estava no ônibus e vi um outro passageiro lendo uma matéria que eu escrevi no jornal.