Era a primeira vez que eu ia para uma coletiva de imprensa. Na terça-feira (4), eu estava acompanhando a repórter Júlia Vigné, na editoria Minha Bahia, e a pauta do dia era ir até Água de Meninos, na sede da Polícia Federal, para entender uma operação policial que havia prendido 17 pessoas envolvidas em uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas (clique aqui para conferir a reportagem completa).
Nos dirigimos até o local pouco antes das 15h, quando estava marcada a coletiva. Além de nós, outros jornalistas também marcaram presença na sede da PF, principalmente repórteres de TV, e ficamos todos esperando a assessoria nos chamar para ouvir os esclarecimentos sobre o caso. Entramos na sala que seria a entrevista e aguardamos o delegado responsável pelo caso, Fábio Marques, e o superintendente da PF, Daniel Madruga, começarem a explicar a história.
Mesmo com poucos anos de contato com os bastidores do jornalismo, se comparados à quantidade de tempo que as pessoas daquela sala já exerciam a profissão, uma coisa que aprendi logo na faculdade é que o jornalista deve ser curioso, e por isso deve fazer o máximo de perguntas possível para entender sem dúvidas a história que a fonte está contando. Mas antes de saber perguntar, o jornalista também precisa saber ouvir.
Dentro daquela sala haviam, no máximo, seis repórteres, sem contar os cinegrafistas e fotógrafos. Uma quantidade suficiente para que todos tirassem suas dúvidas e ouvissem as fontes sem confusão. Mas não foi exatamente como aconteceu.

Foto: Arisson Marinho/CORREIO
Sei que jornalismo diário se faz com pressa pois todos temos um deadline a cumprir, mas os profissionais estavam tão ávidos por respostas que nem sequer escutavam direito as explicações dadas pelo delegado e pelo superintendente, que estavam ali justamente para esclarecer as dúvidas. Bombardeavam os dois com perguntas que já haviam sido divulgadas pela assessoria de imprensa, e pior, faziam isso enquanto eles estavam respondendo um questionamento anterior, muitas vezes de outro colega. Resultado: ninguém estava entendendo direito a história porque os jornalistas quebraram o tal do princípio de saber ouvir.
É claro que sabemos que existe uma competição entre os veículos de comunicação, mas isso não significa que na coletiva você precisa competir com os outros colegas para mostrar que fez mais perguntas, que está participando mais da entrevista. Todos ali tentavam entender a mesma história, e independente do veículo para o qual trabalham, então estavam todos no mesmo barco, e ganhariam mais ajudando uns aos outros do que competindo.