Olá eu do futuro

Olá eu do futuro

Foto: reprodução

Quando falaram sobre esse blog, Bárbara e Maria, as professoras e orientadoras do projeto Correio de Futuro, disseram que ele seria uma espécie de diário onde contaríamos como está sendo a nossa experiência. E, como um diário é feito para relatar as suas experiências e sentimentos no momento em que está escrevendo para depois você reler aquilo e lembrar-se do passado, hoje eu irei escrever uma carta (alguém ainda escreve cartas?) para o eu do futuro.

Olá Gabriel do futuro, tudo bem? (Engraçado te chamar assim, pois, tecnicamente, o você do passado também é um “Gabriel do Futuro”, mas do Correio de Futuro) Espero que sim. Já conseguiu dar uns beijos na Evanna Lynch, comprar sua casa em Londres e ver o Santos ganhar o mundial? O os irmãos Gallagher já pararam de brigar e voltaram com o Oasis (estou pedindo demais, eu sei)? Se sim, saiba que o você do passado estará muito feliz com essas notícias. Mas, como eu não sei como você está, irei escrever sobre como eu estou.

Essas primeiras cinco, seis semanas do Correio de Futuro têm sido ótimas. Eu tive a sorte de entrar junto com sete pessoas incríveis e ter duas tutoras maravilhosas. Além disso, todo mundo do jornal tem sido tão legal e atencioso conosco que parece que estou lá há anos.

Mas esses últimos dois dias me reservaram algumas frustrações. Primeiro, na quinta o meu projeto não foi o escolhido para a turma fazer como produto. Eu fiquei frustrado não por achar que o meu tema fosse o melhor ou por soberba. Inclusive, eu acho pelo menos uns dois ou três temas melhores que os meus. Eu nunca tive o pensamento de que ele seria o escolhido, por ser o mais idiota e menos sério (porém engraçadinho) possível, o que é exatamente a cara do seu eu do passado. Mas, durante a fala de Linda, a editora do jornal, ela fez um suspense enorme e, por alguns instantes, eu pensei que o meu seria escolhido. Então eu comecei a me sentir feliz e entusiasmado. Mas quando ela anunciou que o do meu chara, Gabriel Amorim, seria o ganhador, eu me senti bastante frustrado. Não por achar que o meu seja melhor que o dele, inclusive eu acho que as duas melhores pautas dentre todas as 64 apresentadas são dele, mas sim porque é horrível se entusiasmar com algo e logo depois aquilo não acontecer.

E sexta, novamente, foi bem frustrante para mim. Naquela tarde foi a primeira vez que eu saí sozinho para a rua. Eu fui fazer uma pauta na avenida sete sobre como as pessoas estão comprando neste natal. Ela envolvia basicamente dois pontos: encontrar personagens que estão comprando e fazer uma lista de produtos legais para dar de presente.

Engraçado que nesta semana Macaulay Culkin (sim, eu tive que procurar no Google como se escrevia o nome dele) gravou novamente algumas cenas “Esqueceram de Mim” (aquele filme que você adorava ver na Sessão da Tarde, lembra?) e eu, quando me vi sozinho no meio de milhares de pessoas, tendo que pinçar algumas histórias e procurar produtos para as pessoas darem no natal, me senti exatamente como o Kevin McCallister, personagem principal do filme, ficou quando a família dele viajou sem ele: abandonado e sem saber o que fazer. Mas felizmente eu acabei me virando e consegui apurar algumas coisas. Eu voltei pra redação com o pensamento tipo: “eu não apurei perfeitamente, mas também não fui um desastre, certo?”. Errado, meu caro futuro Gabriel. Eu me esqueci de um detalhe extremamente importante: o de anotar onde comprar os produtos que eu achei. O resultado? Ficou um buraco na matéria, que eu não estava apurando sozinho. É horrível fazer besteira na primeira vez que faz algo no qual você sonhou por tanto tempo em realizar. É tipo brochar quando for perder a sua virgindade. Eu me senti péssimo. Gabriel do futuro, saiba que o seu eu do passado está com um incrível recorde de ter feito besteira em 100% das vezes que foi sozinho para a rua cobrir algo. É um número invejável, diga-se de passagem.

Então, Gabriel do futuro. Primeiramente espero que você não seja preguiçoso igual a mim atualmente e tenha lido tudo até aqui. Também espero que você esteja pensando ao ler essa carta algo como “Nossa. Como eu era bobinho. Meu eu do passado, é normal você errar e se frustrar no começo. Tudo isso é parte do aprendizado. Se você pudesse ver o quanto sua vida está maravilhosa agora em Londres, casado com a Evanna Lynch, você não ficaria triste assim. Tudo vai melhorar. Inclusive, daqui a pouco estou indo ver um show do Oasis em Wembley”. Espero que você, Gabriel do futuro, esteja certo (principalmente na parte da Evanna Lynch) e que tudo vai ficar bem no final. Talvez esse pensamento me conforte agora.