Nossa semana de imersão na redação do CORREIO
Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Agora, com toda propriedade, posso ratificar essa expressão comumente utilizada. Mas, cabe aqui situá-la dentro do contexto. Estar dentro de uma Redação. Para muitos isso poderia soar como um exagero que carrega um certo toque de deslumbramento. E eu digo, sim. É tudo isso, um pouco mais e eu espero que permaneça. Com escreveu Caio Fernando de Abreu “Não importa o quanto vai durar. É infinito agora.”
Minha primeira semana dentro da Redação do CORREIO, mais especificamente, a segunda e terça-feira, foram dias regados de novidades. Desde o fato noticioso até a forma de apuração que, particularmente, foi o que mais me encantou.
Cemitério. Acredito que boa parte da população do mundo, salvo algumas exceções, quando escutam esse nome tem sensações que não são das melhores. Assim que cheguei, para ficar esses dois dias acompanhando a repórter Thais Borges, ela disse: “Vamos para o cemitério.”. O primeiro pensamento que veio em minha mente foi o de não querer ir – não me recordo à última vez que estive dentro um cemitério. Engoli seco e sem manifestar qualquer tipo de emoção, segui, apenas segui. No caminho só pensava em um diálogo que outrora tive com um professor da Faculdade de Direito “Sentimentos repressores, como timidez e medo, na profissão, só podem te acompanhar até o ponto que não te atrapalham a voar. Se passar a atrapalhar, você, simplesmente cala, e vai com ele mesmo.” Sou muito grata por ter escutado e absorvido isso.
Fomos para o cemitério acompanhar o velório de uma pessoa desconhecida – o lutador de jiu-jítsu Irailson Gama, pelo menos para mim e que carregava um certo mistério sob a forma do óbito. Lá pude sentir uma avalanche de sentimentos, vendo as pessoas desoladas, só pensava o que poderia fazer para ajudar. Na mesma hora a resposta me veio “falar”, você exercendo a sua profissão, tem o papel de ser a voz dessa família para o mundo.
Recordo-me de que no recinto estavam duas emissoras abordando, principalmente, a esposa da vítima de maneira muito grosseira e com um toque de desrespeito. Pensei como Thais iria fazer a abordagem. Ela chegou muito delicada, ficou de canto – até pensei que ela não fosse conseguir conversar com ninguém. Esperamos por um breve momento e, voilà, lá estava ela sentada com a esposa do lutador, dentro da sala onde o corpo estava sendo velado – ninguém tinha conseguido isso. Lição aprendida: Você consegue apurar muito bem e agir com respeito, pautada nos preceitos éticos da profissão.
Já no segundo dia Thais estava elaborando o perfil do traficante Zé de Lessa. Ela já tinha informações muito bem delimitadas e me pediu que tentasse localizar os pais do infrator. O que tínhamos? Apenas o nome e a cidade que residiam – interior da Bahia. Ela me explicou que nesses casos, de cidade pequena, com poucos habitantes, nós abrimos o Google Maps e vemos todos os telefones de borracharia, supermercado, farmácia e afins e tentamos encontrar alguém que conheça a pessoa procurada. Lição aprendida: Não foi dessa vez que conseguimos um resultado positivo, pois ninguém conhecia os pais do criminoso nas cidades, mas uma hora é.
Os dias que seguiram foram para construção do nosso produto que deveria ser apresentado na sexta-feira (7), para uma bancada célebre do CORREIO. Criação, correção e confecção. Os dias seguiram assim. Na sexta éramos apenas sentimentos, nervosismo, sendo mais específica. Quando entramos no aquário da Redação, por motivos que não convém aqui falar, fomos informados por Bárbara que a apresentação tinha sido remanejada para semana que vêm e que teríamos mais um dia para a preparação. Lição aprendida: Sempre esteja preparado, aja com compromisso e seriedade, não é sempre que se tem uma segunda chance.