Além de nós, mais quatro equipes de jornalistas, correndo correm atrás da notícia.
Se você é um leitor que acompanha o blog deve saber, pela leitura de outros textos, que cada um de nós chamados “futuros” precisaremos apresentar, ainda essa semana, uma sugestão de tema para o produto final da nossa turma a uma espécie de banca formada por profissionais da redação. Deixando de lado o nervoso que será ter que falar para as principais cabeças pensantes do jornal CORREIO, resolvi abrir esse texto falando do meu tema: o tempo. Nesses últimos dois dias de redação ele tomou uma dimensão diferente para mim.
Depois dos dias de Bazar, onde comecei na segunda a apurar e escrever um texto que foi publicado apenas no domingo, fui jogado na dimensão do tempo real. Nesta segunda, estive ao lado de Amanda Palma, repórter responsável pela abertura do jornal. Amanda chega na redação antes das seis da manhã e faz a chamada “ronda”, assistindo e lendo os principais noticiários do país para pescar o que está acontecendo de mais importante. É ela também que atualiza a página principal do site, para que aqueles leitores madrugadores confiram tudo novo às cinco. Uma manhã com Amanda e eu já tinha publicado quatro notícias no portal – inclusive aquela do discurso de Fernanda Montenegro sobre a Lei Rouanet. O ator aqui amou escrever sobre ela.
Acontece que, “tempo real” aqui não é só um marcador da instantaneidade do fazer jornalístico. Esse real no título também marca, para mim, a notícia que se torna uma realidade palpável. Quando saí da redação na segunda, enquanto corria com as demandas do fim do semestre na faculdade, fiquei sabendo de invasão de um posto de saúde no bairro de Santa Cruz. Fiquei sabendo, mas segui com a minha rotina. A terça chegou e fui acompanhar o repórter Bruno Wendel, especialista em cobrir casos de segurança na cidade. A notícia, que tinha apenas passado pelos meus ouvidos, se fez real na minha frente.
Fomos atrás de todos os lados envolvidos na história. Primeira parada: Secretária de Saúde de Salvador onde o Sindicato dos Servidores Públicos estava em reunião com a Prefeitura. Junto com a gente chegou a equipe de uma emissora de TV. Ali, a consciência de algo óbvio: a notícia não era só nossa, ela acontecia ao mesmo tempo para todos.
Na delegacia precisávamos entender quem eram os criminosos presos na ação. Enquanto a TV na sala em que estávamos transmitia um daqueles matinais de fofoca, Bruno Wendel conversava com o policial que, aparentemente, já era sua fonte habitual. Na maior naturalidade, a conversa misturava comentários sobre as notícias do programa na TV com as informações que precisávamos. Ali tive a consciência de a construção de que a construção de uma relação duradoura com a fonte pode poupar o tempo de quem trabalha sempre com os mesmos assuntos.

Enquanto Bruno Wendel (de cinza) apura, acompanho, de brinde, uma transmissão ao vivo na TV.
Ao chegar no posto de saúde, no entanto, foi que a notícia se tornou ainda mais viva. Além de nós, mais quatro equipes de TV de emissoras diferentes – inclusive a da TV Bahia com a repórter Andréa Silva – buscavam entrevistar o policial que havia comandado a operação que liberou os reféns. Força policial reforçada, eu me vi em um local onde, menos de 24 horas antes, a polícia fazia seu trabalho. Naquele momento, era hora dos jornalistas, todos fazendo seu trabalho, a informação tomando forma em tempo real, instantâneo e de verdade, na minha frente – inclusive com um link ao vivo do jornal da TV que eu pude acompanhar de brinde enquanto esperávamos a nossa vez de fazer perguntas. Entrei no carro pra voltar para a redação, onde digito esse texto, pensando como o tempo – aquele do meu tema – anda diferente quando se está atrás da notícia.