Tempero bom

Tempero bom

No primeiro dia com crachá no pescoço, ainda antes do início das palestras, nos explicaram como seria a imersão na redação do jornal. Quando chegasse a hora, iríamos para rua com os repórteres. A ideia era acompanhar o trabalho deles para aprender. Eu tinha entendido que tudo aconteceria na base da observação. Ao chegar na redação, para o meu primeiro dia no Bazar, era o que eu esperava. Não foi bem isso que aconteceu.

Victor Villarpando, editor do caderno, entregou na minha mão uma matéria para fazer. Era minha primeira vez em uma redação e dali mais um dia teria que preencher uma página da edição do caderno do próximo domingo. Em cinco microssegundos, enquanto Victor começava a me explicar a pauta, algumas milhares de perguntas passaram pela minha mente: Vou fazer sozinho, mas já? Será que eu sou capaz? Meu texto é bom o suficiente para sair impresso? E se eu errar? Mas, azeite? É isso mesmo? Lógico que a maioria das perguntas vinham da insegurança gerada pela falta de experiência – e com dez minutos de “mão na massa” e o apoio de Victor, foram embora – mas a última continuava piscando na minha cabeça. Como é que eu, que mal sei fritar um ovo, ia escrever sobre azeite de oliva?

A verdade é que, na faculdade, quando somos desafiados a escrever nossas primeiras matérias, as nossas ideias de pauta surgem sempre dos nossos gostos e interesses pessoais. Nossas fontes são amigos, ou pelo menos pessoas conhecidas e que admiramos, e os assuntos sempre acabam nos deixando na zona de conforto. Azeite de oliva, por mais ameno e trivial que possa parecer, era um assunto que me tirava do meu lugar comum. E isso foi ótimo! Foi muito bom conversar com gente completamente desconhecida, passar a entender sobre um assunto novo, transformar isso em texto e ver minhas ideias virando uma página completa do jornal.

Pub craw de supermercados - em busca dos melhores azeites

Pub craw de supermercados – em busca dos melhores azeites

Sabe aquela expressão em inglês “pub craw”, usada quando o jovem vai pulando de bar em bar numa mesma noite? Até isso rolou! Ao invés de bares, foram supermercados. E lá estava eu atrás dos preços dos melhores azeites. A minha mania de andar sempre com o celular quase descarregando me impediu de fazer bons registros fotográficos desse momento. Mas tá ai uma tentativa (foto ao lado)

Meus dois dias de Bazar foram ótimos. Saí da redação vendo meu texto ser diagramado e se transformar no que vai chegar na casa dos leitores.Ter meu trabalho revisado pelo editor do caderno, que teve o cuidado de fazer isso ao meu lado e ir me passando as dicas de como melhorar, foi um super aprendizado. O azeite, afinal, acabou se revelando um ótimo tempero para uma primeira experiência e deixando um gostinho de quero mais. E sabe o que aconteceu
com aquelas várias perguntas do início do texto? Foram substituídas pela ansiedade de pegar nas mãos o jornal de domingo. Será um fim de semana especial.
Edit: O domingo chegou e o texto foi publicado. Na segunda, quando foi para o site, passou o dia entre os mais lidos e eu passei o dia muito feliz!