Fábio Góis, gerente de marketing, mídias digitais e projetos do CORREIO
Nós, de Humanas, mundialmente conhecidos como péssimos em matemática e ótimos em interpretação de texto, escolhemos essa área de conhecimento achando que nunca mais seríamos perseguidos pelos tão temidos números, que tanto nos assombraram durante os anos de escola. Mas estávamos muito enganados se achávamos que eles iriam nos abandonar depois que decidimos nos tornar jornalistas.
Na faculdade, aprendemos que o jornalista acumula funções dentro da redação, e que ele tem que ser um profissional plural, que sabe bem como escrever, observar, interpretar, filmar, fotografar e diagramar. Entretanto, não contávamos com o dever de nos importar com os números de audiência e circulação que tomam. Eles direcionam a forma de fazer conteúdo.
Hoje, não é só fazer a matéria e pronto. Existe uma lógica comercial que guia o modo de fazer jornalístico. Na palestra “Muito além das letrinhas”, com Fábio Góis, gerente de marketing, mídias digitais e projetos do CORREIO, conversamos sobre essa necessidade atual do jornalismo, assim como de qualquer outra grande empresa, de entender para que público está falando, qual a porcentagem de homens e mulheres, quais são as classes sociais que mais leem as matérias escritas por aquele veículo, e quantos lêem aquele jornal específico, dentro de todo o público que consome jornal. São muitas perguntas que podem ser respondidas com a análise de dados, e portanto, com números.

Quando os dados vão para o online, os números complicam um pouco mais. Nessa plataforma, os usuários não se baseiam apenas em leitores, e sim em usuários novos, frequentes e leais, ou seja, são contabilizadas as pessoas que entram pouco no site, os que entram com uma frequencia um pouco maior, e os que entram sempre. O desafio é fazer com que os novos tornem-se frequentes e em seguida leais e assinantes, e fazer com que os usuários que já têm uma lealdade ao site continuem fidelizados ao jornal.
Tudo isso se sabe a partir dos números, registrados por plataformas online como Chartbeat e o Google Analytics, que reúnem esses dados de forma automática. A partir desse monitoramento, sabemos não somente o perfil do leitor, e também que conteúdos ele mais acessa, de forma que o jornal possa produzir cada vez mais coisas que o usuário quer ler, em uma relação muito mais próxima do que foi no passado. E quem poderia um dia dizer que o futuro do jornalismo estaria tão pautado em dados? Os tais dos números, que fizemos tanta questão de evitar, estão agora se vingando, cobrando, pedindo a nossa atenção, e se não os ouvirmos, dificilmente conseguiremos nos reinventar.