Dóris Miranda, editora do "Só se vê no CORREIO"
Dóris Miranda transitou do impresso para o digital e da cultura para a opinião. “Parti do zero e virei foca de novo”, relembra quando aceitou comandar, no portal, a editoria “Só se vê no CORREIO”. A jornalista, antes editora de cultura no impresso, hoje atua no jornalismo de opinião dentro do ambiente digital. Dóris destacou a novidade da internet e a delicadeza com que se deve tratar textos opinativos – duas atribuições muito novas para ela. “Fui me construindo junto com a editoria”, conta.
A “Só se vê” é formada por colunas, artigos e “textões” – este último faz parte de um projeto em que o jornal republica textos interessantes postados no Facebook sobre assuntos e temas atuais – tudo com autorização dos autores, claro! Inclusive, o “Textão” ganhou o último prêmio Latam Digital Media Awards como “Melhor Projeto de Fidelização em Redes Sociais”. Além disso, de acordo com Dóris, mais do que opinião, exclusividade é a característica fundamental da editoria. Todos os profissionais trazem informações quentinhas para o portal e para as redes sociais do jornal, seguindo uma rotina pré-estabelecida de publicações.
Dentro da editoria, Dóris tem uma função transversal que dialoga com a opinião, o jornalismo e o ambiente digital. Antes de encarar os desafios com temas delicados, identidade dos jornalistas, visibilidade nas redes sociais, resistência para aderir ao digital, a editora apostou numa autorrenovação. “Eu virei de cabeça para baixo e achei massa”, brinca. Essa reinvenção profissional, inclusive, impactou diretamente na rotina produtiva da jornalista. Antes editora de Cultura, com fontes já fidelizadas, ela precisou reformular e construir uma nova agenda – com pessoas e especialistas que tratam de assuntos muito diferentes do que estava acostumada.
Dóris também falou sobre as nuances do jornalismo. Segundo a editora, não há jornalismo imparcial, e sim jornalismo ético. Enfatizou também que, embora não haja espaço para glamour e utopias, a profissão é contagiante. Episódios do trabalho jornalístico permitem a evolução do repórter como ser humano, “num nível espiritual” – como ela mesma disse. No entanto, para isso, é preciso se despir dos preconceitos, atuar sem esnobismo e saber que jornalista não é juiz de ninguém.