Foi cheio de risadas e em um clima de descontração que começamos a segunda semana do Correio de Futuro. Quem conversou com a gente no início da tarde de ontem foi o chefe de reportagem Jorge Gauthier que é também responsável pelo blog Me Salte, o primeiro canal LGBTQ+ do país vinculado a um jornal, que foi o assunto principal da conversa.
Jorge divertiu e arrancou boas risadas de toda a turma – como quando brincou com o ângulo das fotos que viriam a ilustrar esse texto. Ao falar do sucesso do canal que tem números impressionantes – é o blog mais lido do jornal que em três anos já reúne mais 40 milhões de visualizações – ele destaca a forma completa como o canal se estruturou. São 8 editorias que abarcam diversos tipos de conteúdo, fugindo assim do mais comum aos blogs LGBTQ+: focar nas festas ou em um conteúdo mais erótico. “Não queria que o Me Salte fosse só mais um blog LGBT. A ideia é reunir o máximo possível de vozes: não só festas e nem só a questão social”, pontua Jorge.
As 8 editorias do blog – me orgulho, me jogo, me cuido, me transformo, me inspiro, me abano e a farofa digital – se completam para trazer espaço para os vários assuntos que dialogam com a comunidade. Sem deixar de informar sobre as festas, que também interessam, o Me Salte dá espaço para outros temas como denúncias, saúde e a arte transformista, por exemplo.
Não foi só de risadas, contudo, que foi feita a conversa. É preciso, e necessário, falar sério. Jorge contou sua história. Falou do receio que tinha em colocar suas opiniões e sua orientação sexual em um canal como é o Me Salte. Com o passar do tempo o jornalista foi se colocando cada vez mais nos textos, sem medo e fazendo a sua parte para dar voz à diversidade. “A função do Me Salte é não deixar esquecer as coisas importantes”, diz. Em um momento tenso como foram as últimas eleições presidenciais ele diz que não tem medo. “É preciso inteligência para continuar tendo voz. Tudo pode ser dito, só tem que saber o jeito certo de dizer.”
Passada a nossa hora e meia, com o próximo palestrante batendo à porta, Jorge se despediu deixando na sala um clima leve. Agora, escrevendo esse relato, peço licença para pegar emprestado o nome de uma das editorias do blog para dar título ao texto. Muito bom conhecer um profissional que com tanta força, mas sem perder a diversão, dá voz a quem geralmente precisa lutar por espaço. Eu, realmente, me inspiro.