Ainda há filme pra queimar

Ainda há filme pra queimar

No não tão longínquo ano de 2008, as pessoas compravam câmeras fotográficas para poderem tirar as suas fotos. Dez anos se passaram e a venda destes aparelhos despencou. De acordo com o site LensVid, a venda de câmeras em 2017 foi apenas um sexto do que foi vendido em 2010 e empresas deste ramo, como a tradicional Kodak, faliram. O motivo disso é que hoje qualquer pessoa pode tirar fotos utilizando o seu smartphone, não necessitando mais de uma câmera tradicional.

Essa mudança tecnológica também teve impacto na rotina dos jornalistas. Antigamente, um jornalista de algum veículo impresso precisava sair junto com um fotógrafo para poder realizar as fotos da reportagem. Hoje isso não é mais necessário, pois, eventualmente, o repórter pode tirar as fotografias por conta própria em seu celular. Graças a isso, vários fotojornalistas foram demitidos e alguns jornais, como a Tribuna da Bahia, hoje possuem apenas um profissional deste tipo.

Márcio Costa falou sobre o trabalho de fotojornalismo para os alunos do Correio de Futuro

Márcio Costa falou sobre fotojornalismo para os alunos do Correio de Futuro

“Nós (fotojornalistas) não vamos acabar”, defende o editor de fotografia do jornal Correio* Márcio Costa. Ele argumenta que o celular atualmente ainda é limitado e não fotografa com a mesma qualidade de uma câmera profissional. E, no caso deste equipamento, são poucos os jornalistas que sabem manuseá-lo. “Não é só ganhar uma câmera e sair fotografando. Tem que haver uma especialização. A pessoa precisa ser treinada para isso”, afirma.

Márcio conversou sobre fotojornalismo para a décima terceira turma do programa Correio de Futuro na última sexta (23). O projeto é organizado pelo jornal Correio* e conta com o apoio da Sotero Ambiental.

Segundo Márcio, outro ponto que diferencia o fotojornalista do repórter tradicional é um olhar mais refinado. O editor de fotografia do Correio* usou como exemplo uma foto tirada por Wilton Júnior que, pela angulação em que ela foi tirada, deu a entender que a ex-presidenta Dilma Rousseff estava sendo espetada ou furada por uma espada numa solenidade. “O fotógrafo provavelmente já esteve nesses eventos várias vezes e percebeu que num determinado momento, esta cena acontece. Então ele esperou o momento certo e tirou a foto”, afirmou.

Fotografia de Dilma Rousseff mencionada por Márcio Costa (Foto: Wilton Júnior/AE)

Fotografia de Dilma Rousseff mencionada por Márcio Costa (Foto: Wilton Júnior/AE)

“O nosso trabalho é fugir do óbvio, mostrar o diferente. Enxergar no meio da confusão uma boa foto a ser tirada. A mensagem fotográfica é mais importante do que qualquer técnica que a pessoa possua com a câmera”, defendeu Márcio.