Flávio Oliveira, editor de economia do Correio*, falou com os participantes do Correio de Futuro
O que vem na sua cabeça quando ouve as palavras economia e jornalismo econômico? Provavelmente dinheiro, siglas e números, muitos números. E não é pra menos. Geralmente quando vemos alguma notícia deste tema num jornal é falando coisas do tipo “a taxa de juros diminuiu e agora está a 6,4%” ou “a previsão da inflação para 2018 é de 4,3%”.
E números foi a resposta que a maioria de nós, alunos da 13ª turma do Correio de Futuro, deu quando Flávio Oliveira, editor de economia no jornal Correio*, nos perguntou o que sabíamos sobre economia e jornalismo econômico. Unanimidade maior que essa só quando perguntaram a nós se preferíamos folgar no Natal ou ano novo e todos falaram que queriam passar o réveillon sem ter que trabalhar.
“Jornalismo econômico e economia não são apenas números. No teatro, por exemplo, quando se faz uma reportagem dizendo quanto custou a peça? Quem vai patrociná-la e por quê? Tudo que envolve produção, investimento e retorno têm economia”, defendeu Flávio.

Flávio Oliveira, editor de economia do Correio*, falou com os participantes do Correio de Futuro
Mas Flávio está certo. Afinal de contas, para a surpresa de alguns, as Ciências Econômicas são um curso na área de humanidades. Mas, sim, há muitos números nesta área e eu aprendi isso na prática. Antes de cursar jornalismo, eu fiz três semestres de economia e uma das grandes razões que me fizeram desistir do curso foi justamente a matemática. Felizmente agora estou no jornalismo e até então longe dos números.
Outro ponto abordado na palestra de Flávio foi um possível elitismo da editoria de economia, que, por muitas vezes acaba exagerando no chamado “economês”. “Parecia que eu estava lendo algo em outro idioma”, relatou a professora Bárbara Souza, uma das monitorias do Correio de Futuro, sobre quando ela leu uma reportagem do jornal Valor Econômico.
“É uma editoria que interessa a poucos, por isso acaba se tornando elitista. Nós conversamos principalmente com grandes executivos e pessoas do mercado e elas gostam de ler reportagens de jornalistas que demonstram conhecimento do conteúdo e por isso, muitas vezes, usam o economês”, afirmou Flávio.