Editor de política do Correio* Jairo Costa Jr. Foto: Maria Isís
É difícil desviar a atenção quando o editor de política do Correio* e responsável pela criação da coluna Satélite, Jairo Costa Jr., começa a falar sobre as experiências vividas na profissão. As histórias sobre os bastidores e as manhas que ele revelou para a 13ª turma do Correio de Futuro foram muitas vezes carregadas de humor e trouxe leveza para um tema tão espinhoso.
Jairo mostrou para a turma que a rotina do jornalismo político é variada e não se resume a cobrir sessões na Câmara, Assembleia ou acompanhar votação de projetos. “Geralmente as grandes investigações jornalísticas acontecem na editoria de política. Pra quem gosta de fuçar é a editoria correta e ainda dá para fazer um monte de outras coisas”, ressalta.
Nada pode ser deixado de lado para buscar notícias. Desde o tradicional corpo-a-corpo, conversas nos bastidores, mensagens de What´s App, ouvir pessoas comuns que podem servir como fonte, até ler frequentemente o Diário Oficial e montar bancos de dados. Vale tudo pela informação.
Jabutis e plantas
Como um bom professor, Jairo ensina que a próxima manchete pode estar escondida nos detalhes. Uma tática usada por muitos políticos é se aproveitar de um projeto para esconder os tais “jabutis”. Ele explica: “Jabutis são mudanças nas regras que buscam beneficiar alguém e estão escondidas em várias propostas”. E ainda recomenda: “Basta ler com atenção os projetos para ver algo que pode mudar a vida das pessoas.”
Outra forma de conseguir um bom furo é simplesmente “virar planta”. Esteja numa delegacia, secretaria ou em locais de encontros de políticos, não chame atenção e deixem que se acostumem com a sua presença. Não demostre ser um risco, seja um vegetal: “Já consegui muita coisa assim”, afirma Jairo.
Campanha 2018
O editor de política do Correio* fez parte da coordenação da campanha do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Passou quatro meses afastado da redação. Atribui a vitória de Wilson Witzel a “Bolsonarização” do eleitorado. Ele também analisa a influência dos meios de comunicação no resultado da eleição: “Em 2010 a campanha foi da TV, em 2014 do Facebook e em 2018 do WhatsApp. Ninguém ainda sabe qual será a próxima da próxima eleição”.