A imersão chegou ao fim e o balaço dela é: novas amizades e cinco semanas de muito aprendizado.
A rotina normal de uma empresa é atividade intensa durante o dia e o decréscimo à medida que as horas passam. A faixa das cinco horas geralmente é marcada por grande ansiedade das pessoas, que desejam ir para suas casas. Na redação de um jornal, é o oposto. A redação começa a ganhar vida por volta das duas da tarde, horário que a maioria dos repórteres costuma chegar, e a agitação comece mesmo às quatro. Cinco horas é o horário da reunião de fechamento: hora de bater o martelo sobre as matérias que irão para o jornal do dia seguinte. Às seis, começa a adrenalina do fechamento.
Cinco semanas passaram voando e deixaram um gostinho de quero mais. Aprendizado é a palavra chave. Muito foi aprendido, mas ainda há muito mais para se aprender. Os jornalistas que compõem a equipe do Correio são muito diferentes entre si. Cada um com sua forma de apurar, seu jeito de entrevistar a fonte. E de cada um deles há algo para se extrair. Ou, melhor dizendo, não só os jornalistas, mas a equipe de fotógrafos e motoristas também podem nos ensinar muitas coisas.
Bônus: Minha aula de apuração particular
Na quinta-feira, último dia de imersão (porque na sexta nos reunimos com as professoras, Bárbara e Maria, na FSBA) fui escalada para cobrir a 12ª Semana de Ciência e Tecnologia. Eu estaria sozinha como repórter, porém acompanhada do fotógrafo Evandro Veiga. Saímos com pressa. Por telefone, Linda Bezerra, editora de produção, listava instruções de coisas para eu apurar. Fui anotando tudo, com letras meio tortas, já que estava em um carro em movimento. O receio me acompanhou: tenho que conseguir tudo o que Linda pediu. Mas tentei mantê-lo afastado e mergulhar naquele universo que se apresentava diante de mim.
O tempo era pouco e os estandes eram muitos. Meu objetivo era destrinchar tudo o que eu pudesse, infelizmente o relógio corria mais rápido do que eu imaginei. A todo tempo tentava lembrar das isntruções que me tinham sido dadas. “Ponha o óculos na cabeça, jogue os jogos”, dizia a voz Linda na minha cabeça, se referindo ao game de realidade virtual, uma das atrações do evento. E eu fiz. Colhi as informações que podia, tentando sempre decifrar palavras desconhecidas para escrever de forma que o leitor pudesse entender. Quando meu tempo esgotou, tive que voltar para a redação. E o receio voltou. Perguntas ecoavam na minha mente: será que apurei o suficiente? Será que eu deveria ter entrevistado mais pessoas? Mas o que estava feito, estava feito. Teria que me virar e escrever uma matéria com as informações que reuni.
Na hora de escrever, outro “problema”: a quantidade de linhas. Não sabia quantos caracteres eu teria, mas acho que era melhor não saber mesmo. Escrevi o que pude enquanto uma dúvida rondava meus pensamentos: escrever informações secundárias, porém interessantes, ou deixar apenas o que for substancial? Tentando pensar com “cabeça de editor”, optei pelo substancial, o texto já estava grande demais e eu sabia que ele seria cortado. Finalizei a tarefa que me foi dada e fiquei torcendo para ela realmente sair no jornal no outro dia. No dia seguinte, acordei e corri para ver o jornal do dia. Minha matéria estava lá. A primeira página três a gente nunca esquece!