Jornalismo esportigativo

Jornalismo esportigativo

Escondida. Foi assim que assisti pela primeira vez a um treino do Bahia. Era uma segunda-feira, véspera do jogo que decidiria se o Bahia continuaria no G-4 (grupo que dá acesso a série A). O adversário: Criciúma. Nunca fui muito ligada ao futebol. Quando criança, tinha até raiva dele, às vezes, pois era o grande vilão que impedia que eu assistisse aos programas que desejava, já que meu pai estava vendo o jogo. Porém, quando me perguntam se tenho um time, digo que sim: Bahia. É meio que uma tradição de família. Vi poucos jogos, não sei o nome de quase nenhum dos jogadores. Um desastre, pensariam os mais aficionados.

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Por volta das duas e meia, Fernanda Varela, repórter do Correio, Rafael Machado, repórter da CBN, Adônis Matos, colega “Futuro” e eu, nos dirigimos para o carro que nos levaria até o Fazendão, local onde acontecem os treinos do Bahia. Fernanda já havia me alertado que o treino seria secreto.

A coletiva de imprensa começaria às 16h. No caminho, Fernanda e Rafael tentavam adivinhar quem seria o entrevistado. Por método de eliminação, eles foram descartando uma lista de nomes que eu não fazia ideia de quem seriam. No final, a aposta deles foi Kieza (agora já sei que ele é atacante), pois já fazia algum tempo que não participava de coletivas.  Eles acertaram o palpite.

Ao chegar, ficamos cerca de quinze minutos esperando que alguém nos “liberasse” para subir. Isso aconteceu por volta das 15:35. Nós, além dos repórteres dos outros veículos que também aguardavam, nos dirigimos para a Sala da Imprensa. Os cinegrafistas rapidamente arrumaram seu material, posicionaram câmeras e microfones. Esperamos mais um pouco. Passado pouco mais de 16h, Kieza apareceu. Pela primeira vez pude ligar nome a rosto.

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De repente, sem que pudesse me dar conta, a coletiva começou. Cerca de sete perguntas haviam sido feitas e quando achei que a coisa estava engatando… acabou. Rápido assim. Não sei dizer se chegou a dez minutos. Em breve, seríamos expulsos pela assessoria, como Fernanda alertara. Próximo passo: encontrar uma forma de ver o treino. E lá fomos nós. Escondidos, Fernanda e Rafael, munidos de binóculos, tentavam decifrar a escalação do time para o jogo do dia seguinte. “O papel deles [presidente e assessor do time] é esconder a informação, a nossa é dar um jeito de encontrar”, Fernanda elucidava.

No caminho de volta, o relógio foi o “vilão” para Rafael Machado. Ele tinha que entrar no ar ao vivo, o problema era: estávamos muito longe da Rede Bahia. A solução para o problema, foi o Whatsapp – que em certas horas vira salvador dos jornalistas. Então, Rafael começou a gravar seu programa e, de repente, parecia que ao meu lado não tinha mais uma pessoa, e sim um aparelho de rádio. Após cerca de cinco minutos, era hora de torcer para a internet funcionar e o áudio chegar até o seu destino. O tempo estava correndo. Caso algo desse errado, ele entraria no ar ao vivo por telefone e repetiria tudo que já havia gravado: ócios do ofício.

A experiência foi boa, pelo contato que pude ter com o assunto e pelo contato com a rotina do rádio também. Hoje até li uma matéria de esporte, olha quanta evolução!

Luana Silva
Luana Silva
Luana Silva, 21 anos, 4º semestre, Facom/UFBA. Observadora. Curiosa, sempre tive vontade de saber um pouco de tudo. Apaixonada por livros, séries, fotografia e dança. Procuro ver beleza nas coisas mais simples, nas quais ninguém presta atenção. O que me atrai no jornalismo é conhecer as histórias das pessoas e poder contá-las. Meu desejo é poder tocar as pessoas com a minha escrita.