Começo meu lead dizendo que: “Dois corpos em estado de decomposição avançados foram encontrados enterrados, na tarde desta quinta-feira (22), num matagal próximo ao cemitério de Paripe, numa região conhecida como Cocisa, subúrbio ferroviário de Salvador. ” (E lá se foi meu almoço…)
Foi uma experiencia muito incrível, primeiro pela pauta, um caso de duplo homicídio numa região de extrema periculosidade onde havia muita tensão e adrenalina a todo momento. Segundo pelo fato de está ali no ao vivo, de cara-a-cara com as feras, vivendo na pele o que é ser Jornalista. Nossa chegada no local foi tensa porque as pessoas nos viam e corriam, pois elas não queriam falar, temiam represarias, e agora minha gente? O que eu faço se as fontes não querem falar comigo??? (Game over pra mim?)
Mas espera um pouco! Elas não queriam falar comigo, mas falavam entre elas. Foi então que lembrei de um ditado popular indiano que diz assim: “Se você tem dois ouvidos e uma boca, logo ouça mais e fale menos!” e naquele momento era propicio ouvir. Então me calei e comecei a ouvir as pessoas e elas falavam tudo o que precisava saber para escrever minha matéria…
Logo depois que ouvia as “falas” eu me dirigia até a fonte que acabará de falar e perguntava sobre o que ela disse e todos negaram, desconversaram e quando assumia no final diziam: “Eu te disse o que você queria ouvir, mas se você publicar eu direi que nunca te vi na vida!” (Game over pra mim?!).
Fui para redação pedir socorro a quem sabe mais, descobrir que para tudo tem um jeito, um novo começo. A matéria foi publicada e tudo deu certo… Mas és que surge as perguntas… Qual é o limite do repórter no momento de uma apuração? (Se é que este limite existe!). O que fazer quando a fonte fala em off e não quer que nada seja publicado?? Publicamos a informação ou nos calamos diante do silencio de quem não quer falar??
Tantas?????????????????? (interrogações), que ao longo da vida jornalisticas terei respostas. Ou não!?