Observando a profissão

Observando a profissão

O programa te coloca em contato com todas as nuances do ‘fazer jornalístico’; da pauta ao fechamento, acrescentando, de uma forma interessante, muitos pontos que vi, mas nem sempre aprendi, na faculdade. Esta, mesmo sendo considerada teórica demais, revelou-se necessária, pois não consigo imaginar como seria acompanhar grande parte das vivências que estou passando sem esse suporte prévio.

A obrigatoriedade do diploma foi um tema que ouvi bastante antes e durante a graduação. Qualquer um pode ser jornalista? A meu ver o ‘fazer jornalístico’ está envolvido de coisas que podem ser aprendidas na prática, sendo esse quesito considerado como o mais falho das faculdades de jornalismo. Acho que sim, também dá para aprender ‘fazendo’, mas além disso, o jornalismo é uma área que exige aptidão e/ou vocação que acredito vir acompanhada de um ‘encantamento’.

Na primeira palestra, Linda Bezerra, editora de produção do jornal, falou que a ideia de fazer o programa tinha haver com o fato dos estudantes/estagiários chegarem à redação muito ‘verde’, dando um certo trabalho de apresentação ao mundo do jornal diário. Hoje, considero importante para qualquer segmento da área da comunicação conhecer o funcionamento da redação para, por exemplo, evitar coisas como assessores ligarem para a redação em momento de reuniões de pauta e de fechamento.

Além do aprendizado dos fatores técnicos, o fator humano da profissão vem chamando minha atenção. Observar como funciona a relação entre os jornalistas das mesmas editorias e agora com a integração entre o on-line e o impresso ver as dificuldades e o que vem dando certo. A relação com as mesmas editorias só que de outros veículos. Esses jornalistas estão sempre em contato, às vezes, cobrindo as mesmas pautas. Nem por isso observei algum clima de rivalidade ou disputa. Quando perguntados, os jornalistas que acompanhei, sempre sinalizaram que é assim mesmo; que algumas vezes pode ocorrer uma disputa, mas nada que prejudique a comum cordialidade da profissão.

Gostei de constatar esses pontos, pois eu tinha a impressão, e ela mudou um pouco, dos jornalistas serem uma classe muito desunida e de lutarem pouco por reformas conjuntas de toda a profissão de um modo geral. Ainda acho isso, mas vejo possibilidade de mudança, coisa que não conseguia me situar vendo com o olhar da academia.

Mas, não estou deixando me iludir, como toda área existe todo tipo de profissional. Não gosto de utilizar o termo ‘bom e mau’. Mas é sempre bom estar em contato com pessoas que têm muito a acrescentar.