Na prática a teoria é outra

Na prática a teoria é outra

“Bad news is good news”. Esse foi o lema que aprendi ainda nos primeiros dias de aula. Foi então que todas as minhas ilusões românticas sobre o jornalismo se desfizeram. Muito me perturba (ou seria perturbava?) me deparar com milhares e milhares de tragédias ao ver sites noticiosos ou até mesmo o Facebook. Não entendia muito bem a lógica que fazia com que crimes se repercutissem tanto a ponto de ofuscar as coisas boas que aconteciam, mas que ninguém noticiava. Aprendi a teoria do espelho, do gatekeeper, entre tantas outras, mas a única que parecia encaixar era a de “é esse tipo de notícia que vende”.

A quarta semana de imersão está acabando e o que percebi foi: fui pega pela rotina. Não sei se rotina é a palavra ideal, mas, por enquanto, vou usar ela mesmo. Jornalista é um bicho rueiro, gosta de sair, apurar… gosta de emoção. Uma noite, pensando em como seria o meu dia seguinte no estágio, me peguei pensando “tomara que aconteça algo para eu poder ir cobrir”. Em seguida, comecei a refletir sobre aquele pensamento. Moralmente, me senti um pouco culpada por desejar que algo ruim acontecesse. Jornalisticamente, eu queria sair para apurar.

Faltando apenas uma semana para o fim da imersão não consigo parar de pensar que na prática, a teoria é outra. Não que o que aprendemos na universidade não sirva para nada, pelo contrário. Acredito que conhecer a teoria é fundamental. Mas apenas com prática aprendemos realmente o que é o fazer jornalismo, com suas dores e alegrias. E que, com o tempo, coisas que antes nos chocavam ou que achávamos absurdas, hoje já não são tão chocantes assim. O fato é que: bom ou ruim, o fato tem que ser apurado e a notícia veiculada.

Luana Silva
Luana Silva
Luana Silva, 21 anos, 4º semestre, Facom/UFBA. Observadora. Curiosa, sempre tive vontade de saber um pouco de tudo. Apaixonada por livros, séries, fotografia e dança. Procuro ver beleza nas coisas mais simples, nas quais ninguém presta atenção. O que me atrai no jornalismo é conhecer as histórias das pessoas e poder contá-las. Meu desejo é poder tocar as pessoas com a minha escrita.