Nem só de rondas vive o online

Nem só de rondas vive o online

Com uma rotina corriqueira, o online exige de nós muita paciência.

Mãos preparadas,  telefone no ouvido, start, vai começar mais uma apuração.  A apuração no Correio24horas é na sua maioria feita por telefone e é uma “luta”  árdua conseguir arrancar das instituições uma informação. Você liga para a polícia, para os hospitais e outros departamentos e eles não sabem de nada, não podem falar nada, não tem nenhuma novidade. Parece até que é uma mensagem gravada.

Confesso que  fico desanimada quando a apuração não está vingando. Mas nas cadeiras ao meu lado estão os mais experientes que sempre soltam um conselho do tipo: “relaxe! vai dá certo”.  E eles têm razão. No final das apurações sempre rola uma ou duas notas. Psicologicamente preparada encarei a semana sabendo que a produção seria no conforto do ar condicionado, sentada em frente ao computador. Mas o destino gosta de brincar com a gente e nem tudo saiu como eu esperava.

Na manhã da terça-feira, depois de ligar muito para policiais, recebi o desafio  de Linda Bezerra, editora de produção do jornal Correio*, em ter que escrever uma matéria sobre as mudanças anunciadas pela Revista PlayBloy.  Quebrando protocolos,  o desafio me proporcionou sentir o gostinho do Impresso mesmo estando no online. Nesse desafio estava Simone Melo, uma das integrantes da 9ª turma, que conseguiu me orientar.  Linda falou o que ela queria e quais os caminhos que devíamos percorrer. Ficamos “louquinhas” na redação, ligamos, ligamos, ligamos.. Algumas ligações sem sucesso, outras traziam bons personagens. Recebendo a orientação de Wladmir Lima, editor do site Correio24horas,  e a ajuda de quase todos da redação, conseguimos fechar o texto.  Fiquei muito feliz e satisfeita em ver a matéria na pág 3 do Correio*.

O que não estava no script era que mais desafios estavam por vir.

Bem rápido, ouvi a voz de Wladmir Lima  dizendo: ” Juliana, amanhã você vai sair como repórter do online para uma coletiva que vai ser na Arena”. Passei meus dados para ele e fui credenciada no evento. Sem entender direito o que iria acontecer fui atrás das informações para saber quem estaria na coletiva. E para minha surpresa…  O evento contaria com a presença de Ivete Sangalo. ” Eu vou fazer isso sozinha?”, questionei . “Sim! Você vai fotografar, fazer vídeos e escrever o texto”.

No dia seguinte cheguei confiante na redação, recebi as instruções da repórter Kivia Souza e fui para a coletiva de imprensa. Depois das falas dos convidados, esperava que em algum momento  do evento haveria o espaço para que o público pudesse fazer perguntas, afinal, é desta maneira que as coletivas funcionam.  Para minha decepção, os repórteres que representavam o jornal impresso não tiveram a oportunidade de questionar, nem de ‘arrancar’ uma fala interessante dos convidados.

Com a desculpa de que ‘o impresso é para amanhã’ os privilegiados no evento foram as emissoras de TV. Afinal,  a televisão ainda é o meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015. Somente os repórteres de TV tiveram a oportunidade de falar mais com os convidados, de garantir boas sonoras.  Mesmo tendo consciência de que as matérias na televisão são mais ‘vendáveis’ e conseguem alcançar um número maior de pessoas, naquele momento me questionei sobre o papel do jornalismo impresso e online.

E nós? Vamos ficar com as sobras da televisão, com o básico? Eu estava como repórter do online, qualquer informação exclusiva era primordial, daria repercussão entre os internautas.   Mas não era uma COLETIVA? Eu estava no lugar errado?  Será que era preciso usar o ‘jeitinho brasileiro’ e  me infiltrar no camarim? Existia algum código e eu não sabia?  Muitas perguntas e  a frustração.