Economia verde, inclusiva, circular e de baixo carbono: o que o Brasil tem a ver com isso? Segundo o embaixador da ONU para o Meio Ambiente, Pavan Sukhdev, o Brasil tem o potencial para ser o principal agente mudial em direção a um mundo mais sustentável. Contando com o capital natural, o capital demográfico e a disposição do setor privado em liderar essas mudanças, o economista e pesquisasdor indiano acredita que o país precisa de mais incentivos fiscais e investimento na educação de nível superior e técnico.
A tônica das exposições realizadas no Agenda Bahia na manhã desta terça-feira, 29, foi como as organizações podem se beneficiar adotando uma economia de baixo carbono, a partir de mudanças não apenas no nível operacional mas principalmente de gestão. Segundo Pavan, o maior entrave para se atingir uma economia verde e inclusiva é a mentalidade vigente sobre questões ambientais. Segundo ele, a crença de que não há dinheiro para o setor é uma das primeiras que devem ser superadas. O economista trouxe dados de uma pesquisa que mostra que a sustentabilidade é um dos fatores avaliados por investidores e que eles não estão satisfeitos como o desempenho das corporações nesse quesito.
Mudanças nas políticas de impostos e de subsídios dos governos também são necessárias. “Há muito dinheiro envolvido ele só precisa ser melhor realocado, não faz mais sentido subsidiar o setor de óleo e gás”, questionou Pavan. Para o embaixador da ONU, as políticas de subsídios precisam ser atualizadas e voltadas para a resolução dos problemas de amanhã e não para os problemas de ontem, injetando investimentos na economia verde no lugar da economia marrom, poluente. “É preciso beneficiar os bons e taxar as empresas que prejudicam o capital natural. Mais imposto para os maus, menos imposto para os bons”.
Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), trouxe a perspectiva das grandes empresas. Para ela, “grandes empresas em grandes cidades podem ser agentes de mudança. Precisamos encorajá-las”. Entre os projetos capitaneados pela CEBDS, Grossi destacou a publicação do relatório “Benefícios econômicos da expansão do saneamento”, produzido em parceria com o Instituto Trata Brasil. Em sua fala, Grossi defendeu ainda a economia circular como uma necessidade preemente para as grandes organizações. “É preciso aproveitar o produto do berço ao túmulo. Nenhuma empresa pode ter sucesso em um ambiente falido”, enfatizou.
Os desafios para a adoção da economia circular são ainda maiores em dois dos setores mais tradicionalistas da economia nacional, o financeiro e o agropecuário. Para Rachel Biderman, é preciso capacitar melhor os operadores de crédito rural, para que reconheçam e apoiem as iniciativas verdes do setor. Diretora do World Resources Institute (WRI) no Brasil, Biderman também defendeu a conservação das florestas e a necessidade de mudar a forma como se cria gado no Brasil. “Temos o péssimo hábito de abandonar pastagens avançando sobre novos ecossistemas”, constata. Para Biderman, falta vontade política em acelerar a resolução dessa questão.
Mas não só as grandes empresas e os governos foram contemplados pelos palestrantes. Motivada pelas perguntas da plateia e pela mediação de Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem, Marina Grossi salientou a capacidade de inovação dos pequenos empreendimentos. “Há uma imagem de que as grandes empresas tem um poder transformador muito maior, mas o poder inovador está nas pequenas empresas”. Já para Pavan Sukhdev, “inovação é uma outra palavra para sustentabilidade”.