O tema central das palestras do Fórum Agenda Bahia dessa terça-feira (29) foi “Baixo Carbono: A Nova Economia Mundial”. O evento busca ampliar o debate na Bahia sobre os desafios e soluções na construção de um novo momento da economia. Em dezembro deste ano, acontece em Paris a COP21, Conferência das Partes sobre a Convenção do Clima, que pretende firmar um acordo entre as nações presentes para reduzir em 2ºC a temperatura da Terra.
Em entrevista ao Correio*, Pavan Sukhdev, economista indiano e embaixador da ONU para o Meio Ambiente, batizou o Brasil de “Capital Global do Capital Natural”. A responsabilidade do apelido confere ao país a missão de ser um dos líderes dessa nova economia. Como palestrante no evento, Pavan recordou o discurso do Papa Francisco, o qual critica o atual modelo econômico que ameaça o futuro da humanidade.
Na encíclica, o Papa alertou para enxergarmos o planeta como nosso lar e partirmos para uma conservação ética dos recursos, tendo consciência da natureza como riqueza pública. O pontífice conclui que, no cálculo final, as pessoas mais vulneráveis são as mais atingidas pelas mudanças climáticas provocadas pela má gestão dos recursos disponíveis. Pobreza e Meio Ambiente estão diretamente relacionados. Como Pavan sabiamente adverte: “os problemas não vêm em caixinhas separadas”, tudo na natureza reage em cadeia.
O economista não deixou de repreender o modelo ultrapassado, pra não dizer falido, dos subsídios agrícolas na economia brasileira. Para ele, essas são iniciativas pensadas há muito tempo para solucionar deficiências do passado e que é preciso se questionar até quando vale a pena mantê-las. O clima do mundo mudou.
A também palestrante e economista, Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), define que “empresas não podem ser sustentáveis se não estão olhando o ambiente ao redor delas”. Segundo ela, já existem muitas tecnologias capazes de solucionar problemas de sustentabilidade e a demanda por esses produtos responsáveis é crescente.
Rachel Biderman, representante da World Resourses Institute do Brasil, diz que além da necessidade de se reduzir a emissão de CO2, é preciso também educar e adaptar a sociedade às mudanças. Rachel sugere a criação de legislação que obrigue empresas a calcular a quantidade de gás emitido. Essa transparência permitirá que a sociedade pressione estas a aderirem ao baixo carbono.