20 anos sabendo o “amanhã”.

20 anos sabendo o “amanhã”.

Uma cadeia muito bem elaborada cerca a parte final do produto jornalístico impresso: o jornal. Em meio a toneladas de papeis vindo do estrangeiro a impressão e distribuição segue diariamente, quase toda composta de materiais e máquinas importadas. Mas a produção ainda é bem brasileira e local assim como o Correio*.

A produção do jornal está cada vez mais automatizada. Máquinas modernas fazem algumas funções antes feita por até por 180 pessoas. Mas, fora o barulho de 90 decibéis durante a impressão, as máquinas não falam. Por isso fui ouvir a parte humana que ainda move todo esse maquinário, os que sujam as mãos de tinta, cortam os papeis e, quando é preciso, consertam esses seres grandiosos.

12029149_882064091868830_958586757_nNeiton Coelho, 48, tem 20 anos trabalhando em gráficas especializadas em produção de jornais. Há três anos no Correio*, já passou por outros jornais de Salvador como o Atarde e, o extinto, Jornal da Bahia.

Ele é responsável por imprimir, o que aqui irei chamar de, moldes do jornal em placas de alumínio que têm a função de dar a cor e forma a página por página. Em média cada página do jornal é composta, no momento da impressão, por quatro placas de alumínio dessas, que são utilizadas apenas uma vez. Nossa!! Acabo de me dar conta que ele é a primeira pessoa, fora da redação, a ler o jornal do dia seguinte. Claro que o jornal não é impresso todo de uma vez, algumas editorias são impressas separadas, ainda assim, ele não deixa de ser um dos primeiros leitores das notícias “de amanhã”.

 

Em tempos de internet isso pode não ser considerado grande coisa. Mas…“Antigamente no período em que saía o resultado com as listas dos aprovados no vestibular eu recebia várias ligações para olhar nomes de possíveis aprovados, ainda durante a produção” conta Neiton.

Torcedor do Bahia, gosta de ler mais a parte de esporte do jornal, de certo ponto, é o que traz mais coisas novas para ele. Pois seu expediente, geralmente, acaba às 20h, e em dia de jogos a editoria de esportes é a última a fechar. Até para quem têm 20 anos vendo “o amanhã”, o jornal impresso ainda tem algo de novo para mostrar. Então vamos parar de apontar o fim, o impresso não vai acabar.