Diário de viagem

Diário de viagem

 

Primeiro o calafrio e a dor de ouvido na decolagem e no pouso. Segundo a alegria de chegar em um lugar diferente. E depois TUDO, tudo de uma vez, aprender, conhecer, ‘turistar’, conhecer, aprender, evoluir, foi assim  meu primeiro Intercom Nacional no Rio de Janeiro.

Por isso fiz um pequeno diário/guia, como prometido no post de Andrea Chaves .

4 de Setembro de 2015 – sexta-feira

Acordei cedo, ansiosa, era minha primeira vez. Escolhi uma roupa bonita, troquei, não queria parecer exagerada. Vesti algo confortável, peguei um taxi.  A ansiedade só aumentava. Então cheguei à Vila Laura, ou ‘quase Brotas’, onde mora minha amiga e parceira de viagem, Jade Meirelles. Então juntas seguimos para o aeroporto.

Jade, diferente de mim decola pelo mundo sempre. Eu na minha primeira viagem parecia uma ‘tabaroa’. Mas decolamos, pousamos e estava pronta para a cidade maravilhosa, cheia de encantos mil (parafraseando Caetano V.) .

Tabaroa no avião

E assim foi, chegamos ao Rio por volta das 14:30 p.m., pegamos um ônibus que faz conexão do aeroporto internacional Galeão para o Santos Dumont e custa só 12,80 (Dica número 1), lá tivemos que pegar um taxi até Botafogo, que é onde fica o Hostel Contemporâneo (Dica 2). Lugar ótimo, agradável e com a atendente mais fofa do mundo,  Agatha , sério recomendo muito. Então corremos para Urca, que é onde fica a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para fazer o cadastro para o congresso, mesmo perto do lugar onde estávamos hospedadas, não conseguimos assistir nenhuma palestra da sexta-feira.

05 de Setembro de 2015- Sábado

O Intercom começou hoje para mim. E foi simplesmente indescritível, sério, estou muito piegas e romântica, viver tudo isso é uma das experiências que todo estudante deve ter. Congressos definitivamente são partes indispensáveis do período acadêmico.

Claro, talvez eu só pense assim porque é minha primeira vez, ou porque eu amo ser comunicóloga. Mas ver o um dos meus autores acadêmicos preferidos de perto e ouvir suas opiniões sobre o assunto que venho buscando como referência para estudo, despertou uma vontade de quero mais, quero sempre. Muniz Sodré é um dos nomes mais referentes na área da comunicação atual no Brasil. O carioca conhecido no cenário mundial da comunicação, já palestrou em diversas universidades estrangerias e é hoje um pesquisador conceituado e reconhecido.

Trabalhos famosos como Monopólio da Fala (que debate o discurso televisivo e sua recepção), foram citados durante a palestra que abordou principalmente o tema do congresso, Comunicação e Cidade Espetáculo. Muniz falou ainda sobre o papel dos sites de redes sociais e das mudanças que eles provocam na interação humana.

“Comunicação gera territórios sociais, e as redes são exemplos dos novos territórios e das novas interações”, explicou o autor.

E para trazer mais reflexão sobre interações e territórios sociais, a mesa de debate composta por Nícea Freire, ex-ministra da Secretaria Especial de Política para Mulheres do Governo Lula, Denilso Lopes, docente da UFRJ e Denise Cogo, docente da ESPM/SP, abordou Mídia, espetáculo e violência contra minorias. Trazendo como pautas a violência contra mulheres, a homofobia e a atual crise das migrações, os palestrantes buscaram conscientizar o público sobre determinados comportamentos sociais.

Para a ex- ministra, por exemplo, a violência de gênero só ocorre porque ainda é autorizada na sociedade. Segundo Nícea, o Brasil sofre com um fundamentalismo crescente, que legitima uma sociedade patriarcal, que permite a violência contra a mulher e homossexuais e a inferiorização deles.  Nícea falou ainda do racismo cordial que cria um manto de invisibilidade sobre o assunto, para ela o mundo configura hoje uma sociedade do ódio e o Brasil é permissível a essa tragédia social.

Então Denise Cogo, explicou que essa sociedade infectada por preconceitos e ódio, é a mesma que gera muros e barreiras invisíveis e que estão causando milhares de mortes em nome do que? Fé, Deus, Família? Nenhuma dessas justificativas, ou qualquer outra é plausível para a docente. Para Denise, a crise de migrações que vivemos ou o descontrole social que provoca violência contra minoria, é uma especie de vírus e deve ser combatido.