Iniciando nossa terceira – e última – semana de palestras, recebemos nesta segunda-feira a visita dos jornalistas Juan Torres, que falou sobre o Jornalismo de Dados, e Jairo Costa Júnior, editor de política do Jornal Correio. Algo que me chamou a atenção logo de cara foi o fato de ter ouvido ambos os jornalistas afirmarem que são verdadeiros “viciados” pelos temas que iriam abordar. Essa paixão me deixou ainda mais curiosa para ouvir o que eles tinham a dizer.
Juan Torres começou a conversa pedindo para que cada um de nós se desse uma nota, entre 0 e 10, em relação ao nível de conhecimento sobre o jornalismo de dados. Admito que eu, até então, não sabia muito sobre o assunto e acredito que a maioria dos meus colegas se sentiu da mesma forma.
“O jornalista busca na exceção a história que nunca foi contada, enquanto que o jornalista de dados busca essas histórias na regra”, afirmou Juan. Ao contrário dos produtos jornalísticos em geral, no jornalismo de dados o próprio banco é a principal fonte. Por se tratarem de matérias que, em sua maioria, utilizam de imagens e gráficos, pode parecer que seja algo mais fácil de se fazer. Mera ilusão! Um bom jornalista de dados deve saber conciliar habilidades que envolvem desde o design às ciências sociais.
Apurar é essencial! No jornalismo político, por exemplo, a investigação é extremamente importante. É por isso que Jairo Costa Júnior acredita que o gênero “vai além da práxis da política”. Para ele, o jornalismo político nasce da cobertura do ato político, como por exemplo em casos de agitações sociais, novas leis e investigações do governo (contas públicas). Para que isso aconteça, o jornalista deve ter boas fontes e um bom banco de dados a postos.
Além disso, é importante estar constantemente atento aos sites dos orgãos oficiais do governo. O site Secretaria da Fazenda, por exemplo, tem uma ferramenta na qual é possível consultar os pagamentos feitos pelo Estado às empresas ou pessoas físicas (fornecedoras ou prestadoras de serviço). Dados como esse estão disponíveis para todos nós e podem ser acessadas a qualquer momento. Cabe ao jornalista saber usá-los a seu favor, cruzando as informações. O jornalista político, portanto, deve estar atento à tudo que está acontecendo, e ao mesmo tempo ser uma espécie super detetive; um verdadeiro “stalker” profissional! E Jairo, claro, é um expert no assunto.