Um jornal é feito de pessoas. O bordão repetido por gerações de jornalistas e aspirantes à profissão parece mais verdadeiro quando nos aproximamos dos autores por trás das assinaturas, nas frias páginas impressas. Já visitei quatro Redações durante a graduação. Trabalhei no site Bahia Notícias, no jornal A Tarde, fiz um curso no Estadão, em São Paulo (uma imersão de uma semana voltada para Jornalismo Ambiental) e agora estou, pela primeira vez, dentro do Correio. Cada lugar tem uma temperatura própria, que reflete na forma de transformar os acontecimentos em notícias, e tem o calor de quem trabalha a cada dia.
Stuart Hall (e colaboradores), em A produção social das notícias: O mugging nos media, fala em “personalidades sociais” dos jornais. Para o autor britânico, os critérios de noticiabilidade são utilizados e postos em operação de um modo diferente por cada veículo. Mesmo que todos dividam a cultura profissional do meio e parâmetros gerais a seguir; quando se trata da seletividade e hierarquização, pesa a estrutura técnica e a própria organização da empresa jornalística. Hall ainda acrescenta a importância do sentido do público no processo de transformação da notícia.
Até a morte de Antônio Carlos Magalhães, o Correio (na época, Correio da Bahia) era um adendo da vida política do senador (governador, ministro). A linha editorial nutria íntima relação com os desdobramentos políticos perpetrados pela família Magalhães. Depois do falecimento do patriarca, os herdeiros lançaram mão de uma reformulação editorial, com a intenção de reposicionar o jornal entre os competidores do mercado de notícias.
A nova proposta ousou e angariou frutos. O impresso passou a figurar entre os líderes do segmento entre os veículos do Nordeste. Deixou para trás a sombra política e se absteve quase completamente de problematizar o assunto. Restou a preocupação com o interesse humano e a cobertura local. Segundo Wladimir Lima, editor do Correio On-line, o jornal quer ser visto como “um bom contador de histórias da cidade”.
O público-alvo levanta dúvidas. Ora mais popular (competiria com o Massa?), ora mais voltado para as classes A e B – o leitor que tem hábito de consumir notícias e precisa se informar sobre Salvador. Como não define bem seu consumidor, o Correio pode decepcionar, por exemplo, quando traz manchetes de violência na capa (crimes sempre vendem em uma sociedade que tem a segurança como assunto consensualmente importante), que muitas vezes só encontram eco dentro do jornal no formato de notas descontextualizadas e sem a apuração devida. Caminhar no limbo é um processo de amadurecimento para um veículo que ainda não alcançou a maioridade pela segunda vez.