Há quem diga que a semana começa no domingo, mas prefiro acreditar na chatice tradicional da segunda-feira. Longe disso, a nossa estreia no Correio de Futuro foi numa terça. Foi um dia de estreia também para o primeiro palestrante do programa, Oscar Valporto, ex-editor executivo em seu primeiro dia como editor-chefe do jornal.
Carioca, Oscar veio para Salvador com a missão de reformular as estruturas gerais do veículo e ajudar a desvincular a antiga imagem de instrumento político da era carlista. Conhecer a história de Oscar e do Correio* foi uma experiência muito rica para entender o atual funcionamento do jornal. Discutimos o futuro do impresso e a conclusão parece ter sido unânime: ninguém sabe.
A conversa foi bastante informal, fluiu bem. Parecia não haver hierarquia ali e, à vontade, as pessoas puderam contar um pouco de suas histórias. Histórias como câncer e renascimento, descarte de textos e desânimos, choques de realidade no meio de uma redação borbulhando por tragédias, do sonho de cobrir fotograficamente uma guerra (mas tomara que essa guerra seja bem longe ou que ela sequer aconteça), entre outros. Nesse momento, pude conhecer e enxergar melhor as pessoas que irão me acompanhar nesses três meses. Outras, mais tímidas, se revelam lentamente.
Logo Oscar precisou se ausentar para uma reunião e Linda e Maria Isis assumiram dali para frente. Linda, com esse nome assim tão autoexplicativo, nos incentivou muito com suas incitações de “se joguem mesmo”, “aproveitem, mas aproveitem meeeesmo”. De cara deu para sentir que o programa é uma iniciativa bastante séria e que abre caminhos. Assim, Maria nos explicou como serão as fases. A programação consiste em três níveis: palestras, imersão e produto. Ansiosa pela segunda parte. Fizemos um grupo no whatsapp para agilizar a comunicação.
Conhecemos a redação e participamos da reunião de fechamento com os editores-chefes. Pelos rostos da galera, esse parece ter sido um momento singular. Fiquei ali, bobinha e calada assistindo. Ao final, quando os olhares dos editores pareciam pedir nossas contribuições, fomos conversando e até rindo. Dada a hora de ir embora, os vínculos começam a se estabelecer pelo sistema de caronas/companhia até o ponto de ônibus mais próximo. Conversando com algumas pessoas no caminho, parece que a certeza de que querem o jornalismo os invadiu. Invadiu-me também.