Escolher uma carreira é um momento difícil para qualquer pessoa, inclusive para Juca. O jovem estudante do Colégio Estadual Deputado Manoel Novaes, em Salvador, estava prestes a realizar o seu primeiro vestibular. Até o momento da inscrição ele não fazia ideia de qual curso escolher.
O garoto de 17 anos escrevia como poucos, tirava boas notas em Gramática, Literatura e Redação e já era monitor de História e Geografia. Ele era chamado de menino prodígio pelos professores e de gênio pelos pais. Contudo, enfrentava dilemas para escolher o o ofício que o sustentaria por toda a vida.
Pensou no curso de Psicologia, mas não gostou da ideia de analisar comportamentos humanos. Imaginou-se como um médico, queria salvar vidas. Mas gravar os nomes de doenças não era com ele. Até que, certo dia, Juca perguntou a sua mãe o que fazia um jornalista e ela, sem titubear, respondeu que “jornalista é o profissional que faz entrevistas e depois escreve”. Juca sorriu e pensou consigo mesmo: “é isso que eu quero”.
A história acima é fictícia, mas pode ser o retrato fiel do imaginário popular a respeito do jornalista. Não condeno pessoas que respondam da mesma maneira que a mãe de Juca. É claro que o jornalista faz muito mais do que entrevistar e escrever, mas entrevistar bem é meio caminho andado para fazer um bom texto.
Falo da importância da entrevista porque, nesta semana, eu e Silas Pessoa entrevistamos presencialmente três fontes para a nossa matéria sobre Jovens que abraçam grandes causas. A entrevista feita por telefone nunca terá a mesma intensidade da presencial. Acontece que na entrevista cara-a-cara o jornalista percebe as reações do entrevistado, seu tom de voz e sua expressão. Também acho que as pessoas ficam menos desconfiadas por verem quem pergunta.
Dica para escutar:
Minha dica para escutar em casa, no carro ou qualquer outro local é o novo CD de inéditas de Lenine – Carbono. O novo álbum reflete uma sonoridade mais rock’n’roll do pernambucano – e menos intimista e orgânica se comparada com o som do disco Chão (2013) – que conta com a volta do baixista Guila e do baterista Pantico Rocha na banda.

(Foto: site Lenine)
As composições são todas de Lenine com diversos parceiros como Carlos Posada (Castanho), Carlos Rennó (Quede água?), Nação Zumbi (Cupim de ferro) e Dudu Falcão (Simples assim). Seu filho, João Cavalcanti, canta com ele A causa e o pó (Lenine e João Cavalcanti) e a Orkestra Rumpilezz dá o tom em À meia noite dos tambores silenciosos (Lenine e Carlos Rennó).