Jornalismo tem sabor?

Jornalismo tem sabor?

‘Nem tudo são flores’.Ah…Como essa frase se encaixa perfeitamente para o jornalismo. Na semana passada experimentei as maiores emoções que o jornalismo poderia me dar e provei dos seus sabores. Uns doces, outros bem amargos e aqueles na medida certa para agradar o paladar. Mas, percebi o quanto o amargo é necessário. Nenhuma profissão é perfeita, e com o nosso querido Jon (meu apelidinho carinhoso para jornalismo) não poderia ser diferente.

Logo na segunda, quando estava no impresso, cheguei na redação e recebi um convite inusitado da colega Giulia Marquezini.
Vamos ao enterro comigo? – disse ela com uma certa empolgação.

Então tratei de perguntar a Perlla em qual editoria eu poderia ficar naquele dia, e recebi uma outra pergunta.
Você quer ir ao enterro? 

Naquela hora, no mínimo, cinco respostas vieram a minha cabeça e as palavras saíram lentamento de minha boca.
-Quero sim

Nunca tinha havia estado em um enterro na vida, e a minha primeira experiência iria ser logo com o jornalismo. Poxa, que peso! Giulia chegou a me questionar o motivo de ter aceitado, e disse a ela que sabia que uma hora ou outra o “dever” me chamaria e, sendo assim, resolvi que era melhor ser com ela- já que somos colegas de sala na faculdade.

Foi o enterro de um soldado do Exército, morto em uma troca de tiros entre facções. Preciso admitir que não foi nada fácil, um mix terrível de emoção e profissionalismo. E mesmo sabendo que eu tinha que cumprir com o meu dever, procurei ser o mais humana possível. Foi dolorido demais ver o sofrimento daquelas pessoas e ainda ter que “arrancar” um depoimento delas. Mas, com jeitinho e sem deixar o coração de lado, consegui segurar as pontas e ajudar Giu no que foi preciso.

Difícil mesmo foi chegar na redação e receber uma bomba de questionamentos.  Ver o quão os jornalistas já estão acostumados e que a experiência tão marcante pra mim, tinha sido só mais um entre tantos outros enterros. Porém, bola pra frente porque o jornalismo é assim mesmo, haverão dias em que só o gosto amargo ficará na boca.

E como ‘Deus é pai e não padrasto’…Na sexta-feira que antecedeu o dia das mães , saiu a minha primeira matéria assinada no Correio* online, sobre as mulheres que resolveram montar o próprio negócio após a maternidade. Ela foi todinha pensada, produzida, investigada e amada por mim. E quer saber? Foi o que de melhor eu fiz ultimamente.

Logo que a matéria saiu, mostrei para a minha leitora número 1: dona Juju- também conhecida como minha mãe. Foi lindo de ver o brilho dos seus olhos enquanto lia os meus parágrafos, mas, melhor ainda foi ouvir os seus comentários.

-Que lindo, filha. Foi muito bom você mostrar o amor de uma mãe pelo seu filho, dos pequenos gestos de amor ao remanejamento de toda uma carreira profissional por conta da sua cria – disse ela toda babona.

E são essas palavras dela que valem todos os obstáculos que o jornalismo nos revela. É importante noticiar o que não é tão bom assim, no entanto, é melhor ainda ver como uma matéria mais doce toca as pessoas e pode ajudar em bastante coisa- já que eu dei dicas de como é possível abrir uma empresa e os cursos de capacitação que existem por aí.

Obrigada, Wlad, por me possibilitar dar forma a minha ideia. Obrigada, Giu, por ter sido uma super parceira durante meu momento mais delicado com Jon. E essa semana? Tô peixinha de novo, gente! Saboreando daquelas notícias que equilibram o paladar.

O primeiro fruto!

O primeiro fruto!