A segmentação e a organização do conhecimento nos jornais impressos foram incorporadas no final do século XX no Brasil. Em 1960, o Jornal do Brasil criou o Caderno B – exclusivo para o tratamento das artes. Embora criticado por alguns estudiosos – que veem a falta de entrosamento e contextualização entre as editorias – a segmentação é uma realidade no jornalismo mundial.
Na minha imersão no jornal Correio* tive a oportunidade de transitar pelas diferentes editorias (ou cadernos). É possível perceber – e não era para ser diferente – que cada editoria tem sua particularidade. Contudo, possuem semelhanças – talvez por uma orientação editorial da empresa jornalística.
Entre as diferenças principais está o tratamento com a fonte. Enquanto a editoria de Cultura (Caderno Vida) entrevista suas fontes pelo telefone, a editoria de Esporte vai à campo entrevistar. A mesma diferença ocorre na Coluna Vip de Telma Alvarenga (entrevistas por telefone) e na rotina da cobertura de cidade do repórter especial Alexandre Lyrio, o qual afirma que lugar do jornalista é na rua. A editoria de Política (representada pela coluna Satélite) também utiliza-se das entrevistas por telefone. A editoria de Economia, por sua vez, realiza entrevistas tanto por telefone quanto presenciais.
As editorias, no ambiente jornalístico, tem suas individualidades (tanto que ficam em mesas separadas), porém dois detalhes me chamaram a atenção nos textos. O primeiro é a tentativa de encontrar personagens interessantes para as matérias – factuais ou reportagens de fôlego. Além disso, percebi que todas as editorias tentam valer-se da técnica do nariz de cera, aquela pela qual o primeiro parágrafo é mais criativo e menos piegas. Creio que seja orientação editorial.
Cada editoria pode ser considerada um mundo; isso não posso negar. O que importa, todavia, é que esses mundos se alinhem com um único objetivo: contar boas histórias.