Antes de sair pra enfrentar meu primeiro dia de chuva no impresso, assistia o BATV sobre os desabamentos que ocorreram na cidade e pensei: quero ficar com essa pauta hoje. Até parece que Linda Bezerra ouviu os meus pensamentos. Assim que cheguei na redação, ela pediu para eu acompanhar o fotógrafo Robson e encontrar a jornalista Amanda Palma em Marotinho, região do bairro de Bom Juá. Quatro pessoas tinham morrido em consequência dos desmoronamentos de terra.
Quando cheguei ao local, Amanda Bezerra, que estava lá desde manhã, teve que retornar para o jornal para começar a escrever a matéria. Ela me pediu entrevistar as pessoas que estavam em casas com risco de desabamento. E agora? Meu primeiro dia e me deparo com uma tragédia, uma das coisas mais tristes que já presenciei, acompanhada somente do fotográfo.
Não sabia o que perguntar nem como abordar as pessoas. Mas por sorte, todos queriam contar as suas histórias e mostrar as suas casas cheias de terra e lágrimas. Muitos perderam tudo. Muitos não tinham para onde ir e estavam à mercê do destino e do poder público. Conheci uma realidade que até então nem imaginava. Descobri que, quando presenciamos um fato, é muito diferente de lê-lo no jornal, vê-lo na TV ou ouvi-lo no rádio. É a vida diante dos nossos olhos.
Hoje acompanhei Ronney Argolo e a fotógrafa Angeluce em uma das pautas do Bazar. O tema era um faça-você-mesmo de um objeto decorativo (muito fofo por sinal!). Achei incrível a mudança entre as editorias. Um dia estava cobrindo uma tragédia devstadora, no outro, uma pauta de decoração divertida em uma casa muito linda. Acho que jornalismo também é isso. Estar preparado para cobrir, entrevistar e pensar as mais diferentes pautas e matérias. 🙂