Hoje eu estive “permanentemente preso ao presente” e me senti como um “homem na redoma de vidro” ao trabalhar no Correio24horas. Os trechos da canção Olho de peixe, composta por Lenine, refletem o meu dia como colaborador no site do jornal Correio*.
Falo isso porque a redação do portal fica no aquário que, no português jornalístico, significa um espaço fechado com inúmeros computadores. Entre as habilidades exigidas do jornalista em um veículo online estão a capacidade de apurar as notícias, de redigir textos concisos com o auxílio de imagens e vídeos e de ficar atento aos fatos mais recentes.
Embora imerso no aquário é possível trabalhar com informações policiais, de serviço, entretenimento, internacionais… A repetição na escrita de notícias é fundamental para mim, porque cria-se uma dinâmica e um maior aprendizado da práxis jornalística.
Reflexões e reflexos
– No último sábado (25) o escritor peruano e prêmio nobel de literatura Mario Vargas Llosa, durante o I Fórum Internacional do Espanhol 2.0, disse que se o jornal impresso acabar “seria o pesadelo de Orwell, de uma sociedade transformada em robôs, onde tudo é organizado por poderes invisíveis”.
A ideia do autor de Conversa na Catedral é um pouco apocalíptica, já que é pela internet que a sociedade participa ativamente dos debates. Não creio que o jornal impresso seja extinto rapidamente. Muitas pessoas ainda têm o costume de folhear os periódicos. É evidente que a internet veio pra ficar e temos que retirar o que ela tem de melhor: informação a qualquer tempo.
– O jornalismo online possibilita o chamado “jornalismo participativo” o qual atrai leitores que comentam matérias e pautam sites. Na segunda-feira (27), o facebook do jornal Correio* publicou uma matéria que trazia um Camaro (carro avaliado em R$200 mil) isolado no alagamento provocado pelas chuvas em Salvador.
O que mais me chamou a atenção foi o comentário de um cidadão (imagem abaixo) que pediu para o jornal, em vez de noticiar carros, abordar as mortes em deslizamentos de terra. Aqui pairam algumas indagações: 1) qual o limite entre interesse público e interesse do público? e 2) o que é notícia? Fiquei incrédulo também com a falta de tolerância e educação das pessoas.
Dica de leitura:
Minha dica de leitura é o livro de crônicas Outros tempos (Editora Record, 2002) do jornalista da TV Globo, Edney Silvestre. Os 28 textos que compõem a obra têm como pano de fundo a vida de Edney como correspondente internacional em Nova York.
São relatos que contam a experiência de ter sido o primeiro repórter de TV brasileira a cobrir o atentado terrorista ao World Trade Center, assim como a vida cultural na terra do Tio Sam.