Olhar vago no horizonte, corpo franzino e fala mansa. Muito mansa. Um “boa tarde” tímido e a contagem dos presentes no auditório. Márcio Costa e Silva, editor de fotografia do jornal Correio*, é assim (ou aparenta ser assim). Sua palestra para o Programa Correio* de Futuro, nesta terça-feira (14), foi sobre fotojornalismo.
Márcio afirmou que fotojornalismo é “fotografar em movimento”. Seu conceito sintético ganha novos elementos quando destaca que uma boa foto – para estampar as páginas do jornal – deve ter enquadramento, foco e informação. Em tom crítico, ele disse que “nem tudo [no jornal] deveria ter o espaço pictórico”, já que não é toda foto que merece cinco colunas numa página.
Algumas fotos vencedoras do Prêmio Pulitzer (o mais importante prêmio da fotografia no mundo) foram apresentadas e debatidas sob o olhar da ética. A lista inclui os registros de Kevin Carter, Huynh Cong Ut, Nathaniel Fein entre outros.
O jornal Correio*, segundo o editor, conta com seis profissionais na área de fotografia. Trabalham três pela manhã e os outros três pela tarde. Cada fotógrafo(a) está livre para atuar em qualquer pauta, mas tenta-se adequar àquela que ele(a) se sente mais confortável devido à temática e ao estilo. Já o Correio24horas não tem repórteres fotográficos.
Em suma, a fotografia já pode ser entendida como uma editoria. Foi assim que idealizou Alberto Dines no Jornal do Brasil e é assim que pensa Márcio Costa e Silva. Para tanto, o editor do Correio* acredita que o fotógrafo deve-se preocupar com a foto e não ser “chaveirinho” do repórter.