Foi bem aqui que eu estava quando o Tempo gritou: “Que os jogos comecem”. Começaram com uma greve da Polícia Militar levando Salvador ao caos profundo, enquanto entro de caloura na Turma 6 do Correio de Futuro
– Bom dia, é do IEL?
– Sim, como posso ajudar?
– Meu nome é Alane, fui selecionada para um estágio no Jornal Correio*, mas minha Universidade está com o convênio vencido com vocês, eu gostaria de ajudar a acelerar o processo.
– Um momento, vou te encaminhar para o setor responsável.
Telefone toca. Outro setor. Ramal errado. Mais historinhas. Descaso.
– Não é culpa nossa, resolva com sua Universidade.
Na UFRB o mesmo:
– Não é com a gente. Já foi encaminhado. Esperamos o contato do IEL.
E eu de um lado pro outro. E-mails. Telefonemas. Cobranças. Desespero. Assim se deu meu primeiro mês de trabalho como uma Futuro. O Correio* quase desiste de mim, eu quase desisto de vencer a burocracia, mas não desistimos. Ufa! Nem acredito que estou redigindo estas linhas.
Perdi a fase teórica, as apresentações e as descobertas coletivas. Cheguei atrasada e a fim de recuperar o tempo perdido, já era a época da imersão. A primeira semana foi no Correio24horas. Rondas pela web. Entrevistas por telefone. Textos curtos. O que há de mais factual. Aprendizado garantido, mas sendo sincera: o Jornalismo é minha cachaça só que prefiro outras destiladas. O Online não me apetece.
Um detalhe engraçado. Demorei a me acostumar com a grandiosidade das coisas na Rede Bahia. Andava sempre apressada, característica da nossa profissão, mas sempre olhava atenta a tudo. Os corredores, as salas, o refeitório. Fiquei meio boba em ver diariamente os Grandes Realizadores do jornalismo baiano. Olha, eu gostei viu!?
A segunda semana de imersão foi no Impresso. Editoria de Política, Policial e de Cidade. O cenário político da Bahia é um vulcão e explodiu. A dinâmica de trabalho na redação do jornal mais vendido do estado quando Salvador está imersa no início da corrida eleitoral. Foi bem aqui que eu estava quando o Tempo gritou: “Que os jogos comecem”. Começaram com uma greve da Polícia Militar levando a cidade ao caos mais profundo e eu estava com os repórteres Bruno Wendel e Victor Lahiri de um lado ao outro. Foi bom estar no lugar certo, na hora certa. Sem ter tempo para tirar dúvidas, vamos ao trabalho. “Alane chegou chegando”, me disse Bruno no Pit Stop para o lanche que substituiu o almoço da terça-feira (15). A foto da postagem é dele, o comentário foi legenda da foto no Instagran. Ainda estou digerindo o aprendizado da semana. Obrigada Bruno, Lahiri, Jornal Correio*, pelo acréscimo imensurável na formação da estudante de Jornalismo que vos fala.