Não é preciso muita concentração. Basta eu fechar os olhos e lembrar daquela tarde de domingo, 6 de abril, para ainda ouvir o barulho da torcida: “ Ahhhhh é Lepo Lepoooo”. Confesso que a lembrança do som, não é uma coisa muito agradável. Talvez ouvir um funk fosse mais divertido, não pelo ritmo em si, mas pelo significado que a troca- do pagode pelo funk- representaria para os rubro-negros, como eu, que acompanhavam aquela primeira partida da decisão do Campeonato Baiano, na Arena Fonte Nova.
Ouvir o “Lepo Lepo” ou invés do “Lek Lek” era sinal que o meu time não estava ganhando a partida e a vitória do Vitória foi o que faltou para aquela tarde ser completa. O desfecho final da história todo mundo já sabe… 2X0 e 2X2. O time rubro-negro não ganhou o Baianão 2014, mas eu vivi uma das tardes mais felizes de minha vida. Eu e Iago, estávamos acompanhando o repórter Angelo Paz, na cobertura do jogo.
Além da emoção de assistir o Vitória jogar a final de um campeonato, de ouvir o barulho das torcidas, de conversar com os torcedores e perceber o quando que uma partida de futebol mexe com as pessoas, a tarde foi inesquecível pela aprendizagem e duas coisas, principalmente, me marcaram. Primeira, cobertura esportiva é antes de tudo paixão, muuuuita paixão. Segundo, você não precisa ser imparcial, apenas profissional.
Ali, na área de imprensa, era claro: todos torciam para um time, alguns torciam até de forma exagerada. Os rostos no final da partida também diziam muito sobre as preferências dos jornalistas e um leitor atento, talvez identificasse nos textos do dia seguinte a alegria de algum repórter tricolor. Mas toda essa passionalidade não é um atentado contra o jornalismo. Para mim, este é o diferencial da notícia esportiva. Ao reportar um fato do mundo dos atletas, o jornalista esportivo não precisa fingir com todas as forças que é imparcial, mas é fundamental que ele saiba filtrar as emoções para que o texto não seja construído tão somente a partir do seu humor.
Por tudo isso, manter a concentração e ser profissional ao reportar uma partida de futebol, por exemplo, é uma tarefa mais complicada do que parece, mesmo quando o seu time ganha. Eu ainda imagino como é difícil escrever, depois de ficar tão envolvida com os acontecimentos do campo e não sei se estou preparada. O certo mesmo é que lidar (e/ou conciliar) com as paixões, suas e dos outros, exige sempre muito cuidado, especialmente quando se trata de esportes.
Depois de tantos ensinamentos, conselhos, correções, instruções, dicas… As quatro semanas de imersão chegaram ao fim. Ainda não é possível contabilizar tudo o que eu aprendi. Já me imagino no futuro, lembrando da minha época de Futuro e pensando: “isso eu aprendi/vivi no período de imersão na redação do Correio*”. Estou ansiosa pelas próximas aventuras!