Chega ao fim mais uma semana de imersão. E que semana! Começa a vir àquele frio na barriga, àquela dor no coração. Um aperto. Só temos mais uma semana na redação. Esta foi a minha última semana no jornal impresso. E o que eu aprendi nessas três semanas? Muitas coisas.
Lembro-me que há exatamente 35 dias estávamos sendo apresentados ao Correio e a todo este universo. Dentre os nove “futuros” fui a única que disse não querer ser repórter até então. ATÉ ENTÃO.
Deixem-me explicar. Há dois anos entrei na Faculdade de Comunicação da UFBA, dentre outros fatores, porque gostava de escrever. Descobri que não bastava achar que escrevia bem. Para ser jornalista precisava de muito mais. Precisava de uma boa pauta, apurar, envolver o leitor, dentre outras coisas. Sabia de tudo isso, mas nunca tinha vivido na pele. Ao mesmo tempo, passei dois anos na empresa júnior e descobri que gosto muito de comunicação: peças gráficas, mídias sociais, eventos, divulgação, comunicação interna, marketing, gestão empresarial. Amo muito tudo isso; um mundo de possibilidades. Lá também redescobri minha paixão por gestão de pessoas, por liderar e lidar com os mais diversos perfis. Mas e jornalismo? Infelizmente, possivelmente por uma influência negativa da faculdade, a redação (de Jornal mesmo) me parecia um lugar chato, em que só havia jogos de interesse. E me perguntava: Como posso, eu, ter esse pré-conceito, sem ao menos ter entrado numa redação? Foi aí que decidi entrar no Programa. ATÉ ENTÃO era a única que não queria trabalhar como repórter, e sim na área de Comunicação Empresarial.
Do dia 24 de março – início da etapa de imersão na redação – até hoje (13), fim da penúltima semana de imersão, descobri a importância de ter uma boa história; de ler mais, de colocar-se no lugar no leitor e me questionar: “O que eu gostaria de ler?”. Aprendi, também, que apuração é tudo! De que adianta contar uma história sem ouvir os diversos lados e versões da mesma? De que adianta contar uma história mal contada? A apuração é essencial. Como já diria Lenine, em sua música “Do It”: “Quer saber? APURE”. Nesses dias pude sentir na pele a questão do olhar, o tal faro jornalístico sob a informação. É preciso trazer um olhar diferenciado através da notícia, da reportagem.
Nestas duas semanas no impresso passei por Cidades, Economia, Esportes, VIP (Coluna da Telma Alvarenga) e fotografia. Fui ao Fazendão, Feira de São Joaquim, Feira das Sete Portas, Ceasa, supermercados, Uruguai, Caminho de Areia, Arquidabã, etc. Aprendi a respeitar, ainda mais, o trabalho do repórter esportivo; a ter um pouco da garra e da persistência do repórter de cidades; a importância de ter um networking para conseguir diariamente informações inéditas; a esperar e ser simpático; a insistir até o último segundo para conseguir uma informação. Observei. Apurei. Coloquei a mão na massa.
Descobri, acima de tudo, que escolhi a profissão certa.
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Para finalizar a etapa JORNAL IMPRESSO com chave de ouro, gostaria de ressaltar três pessoas que me marcaram neste processo.

Alexandre, Linda e eu no plantão de sábado (13)
- Linda Bezerra: Grande personalidade, coração grande, uma pessoa iluminada. Foi muito importante no nosso direcionamento no Jornal Impresso. É ela que nos aloca nas editorias e que, mesmo que sem intenção, nos passa uma confiança exímia. Tive a oportunidade de observá-la em alguns momentos e ela sabe muito bem o que faz, em todos os sentidos. Duas situações foram marcantes. Ela me colocou em economia alguns dias e me mostrou que a editoria tem tudo a ver com “comportamento”. E, também, o plantão. O plantão foi um grande aprendizado, eu e Alexandre (também “futuro”), fomos para a redação no sábado (12) e tivemos que apurar um caso de morte em Alagoinhas. Chegamos e logo ela falou “hoje quero que vocês façam sozinhos, nada de acompanhar alguém”. Depois de muita apuração, fizemos. Conseguimos!

Eu e Priscila Chammas na terceira semana de imersão
- Priscila Chammas: Na primeira semana, Linda me colocou para acompanhar a repórter de economia Priscila Chammas. Não a conhecia pessoalmente, nem tinha uma afinidade grande com a editoria; mas fui de cabeça aberta. Ela me explicou como seria a pauta, sobre o aumento do preço do tomate, batata e cebola, e que teríamos que checar essas informações em mercados e feira. Neste dia consegui a ajudar com as entrevistas e a achar as coisas. Quando chegamos na redação, liguei para algumas fontes e precisei me desvincular de Priscila para transcrever uma entrevista. Neste dia, saiu minha primeira colaboração. E não é que eu nem tinha visto?! Só fui ver um tempão depois. Gostei muito de participar desta matéria, principalmente porque é um assunto de relevância social, que importa para o público e que influencia na vida das pessoas. É como se fosse “comportamento”, que é algo que tenho muita afinidade. No outro dia também fui para economia, já com a entrevista decupada, descobri a parte mais burocrática e acabei fazendo uma matéria que saiu na íntegra na parte de 24 horas do Jornal. Na segunda semana, quando eu estava no online, saí por volta das 18h30 e vi que Priscila estava com um monte de papéis. Perguntei o que era aquilo. Ela disse que era uma pesquisa sobre a Copa e que ela estava correndo contra o tempo, para fazer a reportagem, que era um “Mais*”. Ofereci ajuda, ela aceitou. Neste dia escrevi cerca de 1 coordenada direto no GN3 (programa de edição do Jornal). Mais uma colaboração. Na segunda semana, fiquei mais um dia em economia. E adivinha com quem? Com a Pri. Nesta altura ela já me deixou mais “livre”. Primeiro fomos ao Ceasa juntas, depois ela me deixou na Feira das Sete Portas e eu apurei sozinha. Foi um importante passo dentro do Programa; naquele momento bateu um frio na barriga, porque querendo ou não o Correio* era eu, naquele momento, naquela hora, naquele lugar. No final tudo deu certo. Chegamos na redação e apuramos mais, consegui contribuir bastante. Outra colaboração, em economia.
Aprendi bastante com a Pri. Aprendi que a estrutura da matéria não precisa seguir algo fechado e inalterável e que você pode (e deve!), sim, dialogar com o público. Aprimorei as minhas habilidades em apuração na rua, no modo de lidar com as pessoas. E, é claro, me mostrou que a economia não precisa ser “chata” e nem “inacessível”. Pode ser muito legal, é só você saber “conversar” com o leitor. Com certeza foi uma pessoa que marcou nessa minha fase de imersão no Jornal Impresso.
- Thais Borges: Minha relação com Thais – conhecida como Thai – começou junto com a faculdade. Desde então, mesmo que discretamente, ela foi uma pessoa que marcou na minha vida. O rapaz que me levava para a Facom era o mesmo que a levava; aos poucos fomos conversando mais. Sobre a vida, sobre a faculdade. E descobrimos que as duas liam Capricho, e as duas queriam trabalhar lá um dia. Sempre me identifiquei com Thai. Ela acompanhou meus passos, e eu, caloura (e ansiosa!) acompanhava os dela. Lembro-me de estar em dúvida sobre a minha entrada na empresa júnior, e quando falei com ela, ela me incentivou a entrar. E entrei, virei trainee, gerente e diretora. E ela entrou no Correio de Futuro (na época Jornalismo de Futuro), e me contava como eram as coisas. Não fazia parte dos meus planos participar do programa, mas lembro que quando saiu a “NOVE”, fiquei apaixonada. Ela entrou no Correio, e eu virei diretora de comunicação na empresa júnior. Na faculdade nos encontrávamos de vez em quando e conversávamos. Foi quando decidi participar do Programa. Falei com ela e ela incentivou minha entrada: Contou o quanto seria uma experiência enriquecedora, e que realmente poderia me mostrar se eu gosto (ou não) de trabalhar em Jornal. Entrei no programa e ainda não tinha tido a oportunidade de acompanha-la por uma tarde, apesar de quase sempre saber o que ela estava fazendo. No último dia (fora o plantão), fui com ela. Foi muito interessante, uma matéria em que pude ajudar com fontes e, também, colaborei com a escrita de uma coordenada. Gostei muito. Nunca tinha falado isso pra ninguém, mas Thai foi (e é) uma pessoa muito importante na minha vida de faculdade. Alguém que me identifiquei seja com relação aos interesses ou com a forma de escrever. Mesmo que indiretamente, as histórias que ela viveu, se cruzaram com as minhas e, agora, nos encontramos no mesmo lugar.