O equilíbrio emocional e a diversidade de sentimentos

O equilíbrio emocional e a diversidade de sentimentos

Primeiro Ba-Vi da final do baiano / Foto: Iago Ribeiro

Primeiro Ba-Vi da final do baiano / Foto: Iago Ribeiro

A variação das emoções na vida do ser humano é uma coisa comum. É muito difícil estabelecer uma situação emocional constante. E essas mudanças nos momentos da vida te fornecem capacidade pra lidar com as adversidades. Seja no âmbito profissional ou pessoal. Pra começar uma semana tensa de provas na faculdade, veio o resultado do Ba-Vi de domingo. O resultado de um dia especial de cobertura jornalistica. Estávamos lá, eu e Paula, para cobrir o clássico junto com a equipe do Correio*. Como eu sou Vitória, o placar do jogo não foi satisfatório. O Bahia venceu por 2×0. Mas estar lá, na Arena Fonte Nova, trabalhando em lugares como a cabine de imprensa, a zona mista, foi uma das melhores coisas que eu tive oportunidade de fazer parte nos últimos anos. Essa felicidade toda ficou ainda maior quando na segunda-feira (07), as matérias que nós fizemos no clássico estavam estampadas nas páginas 8 e 12 do jornal. A sensação de uma “boa” estreia. Uma felicidade que marcou o meu rosto durante o começo da semana.

Mas no meio da semana, essa felicidade toda sumiu por alguns instantes de meu rosto. Na quarta-feira (09), estava no Correio24horas e comecei a apurar a morte de uma estudante no município de Simões Filho. A jovem caiu do ônibus que estava se deslocando com as portas abertas e não resistiu ao impacto da queda. Essa não foi a primeira pauta que apurei com um tema como esse. Na segunda semana tive experiências com o jornalismo policial no online e no impresso. Mas aquela pauta me incomodou um pouco. Um sentimento um pouco insignificante comparado com o momento emocional dos parentes da vítima.

Durante a apuração, consegui o telefone de um parente da vítima, um tio. Quando fiz a ligação, acabei falando com o pai da menina. Não esperava falar com um pessoas tão próxima a vítima. Tentei ser indiferente, frio, profissional. Fiz a entrevista e ao terminar parei um pouco. Tenho experiência em assuntos policiais dentro de casa e nunca fiquei daquele jeito ao abordar temas como esse. Estranhei falar com uma pessoa que tinha passado por uma tragédia familiar tão recente, uma perda de uma pessoa próxima. Fiquei sem jeito na entrevista. É difícil abordar uma pessoa nesse momento.

Fiz a matéria ainda pensativo. Além de ser um assunto pesado de tratar, é uma coisa que poderia acontecer com qualquer pessoa que utiliza o transporte público. Poderia acontecer comigo. Deixei a redação e fui, ainda com a assunto na cabeça, tentando normalizar aquela sensação estranha. Afinal, ela faz parte do trabalho. No final, percebi que temos que passar por algumas situações fundamentais para a profissão. Estamos passando por um período importante em nossas carreiras. Constatei que a questão não é ser indiferente, frio ou profissional. A questão é ter equilíbrio emocional e saber lidar com determinados assuntos. É ser profissional o bastante para cumprir o papel jornalistico.