Frio na barriga, nervosismo e ansiedade. O problema causador destes sintomas também é conhecido como Síndrome de Torcedor. Desde a última segunda-feira (31), quando soube da possibilidade de sair com a editoria de Esportes, a “doença” se instalou em mim, mas na quarta-feira (02) tudo se resolveu como um simples remédio chamado Barradão. O bom é que a Síndrome de Torcedor só acomete pessoas muito apaixonadas pelo seu time do coração, então as “sequelas” que ela deixa são sempre positivas. Lembranças que marcam principalmente quem sonha em se tornar jornalista esportivo.
Por isso, a pauta desta quarta foi muito importante para mim e Iago. Mais que uma simples visita à Toca do Leão, foi também um dos primeiros passos para a realização de um sonho. Nossa missão foi cobrir o treino do Vitória que está se preparando para ganhar a final do Baianão 2014. Saímos da redação com destino ao centro de treinamento do rubro-negro baiano com um sorriso bem grande no rosto, primeiro porque era nossa primeira matéria, de rua, na editoria de Esportes e depois estávamos indo para “nossa casa”.
O frio na barriga aumentou assim que vimos os escudos do Vitória estampados no muro que cerca o CT do clube. Ao entramos, paramos diante do campo, onde os jogadores se preparavam para iniciar o treino, ficamos olhando para eles um bom tempo, tentando identificar os heróis e os carrascos que tantas vezes nos fizeram chorar, comemorar ou discutir com o amigo chato que torce para o rival. Parecíamos duas crianças.
Nosso padrinho nesta aventura foi o jornalista Angelo Paz. Ele trabalha no CORREIO* há seis anos e desde 2010 cobre os assuntos ligados ao Vitória. Ficamos observando o jogo enquanto esperávamos a coletiva do zagueiro Rodrigo Defendi. Durante o tempo de espera conversamos com outros três colegas jornalistas de veículos locais, sobre os mais variados assuntos. Os jornalistas esportivos têm um relacionamento bem cordial entre si e as “resenhas” são bem divertidas, às vezes, nem perecia que estávamos trabalhando.
Ficamos observando o treino até o final, mas a vontade mesmo era de pular a cerca e ir jogar uma bolinha com os jogadores. O baba não rolou, mas, ainda que de longe, acompanhávamos tudo e era um tal de: “olha ali Escudero!” ou “ será que eu não vou conseguir nem uma foto com William Henrique?” Bem, conseguimos a foto com príncipe William, e não é possível descrever a alegria de Iago depois da conquista.
Nossas caras de focas foram inevitáveis e também foi difícil sair do CT, mas tivemos que voltar para a redação, afinal era necessário fechar a matéria para o dia seguinte. No caminho de volta Angelo nos contou algumas das experiências que ele viveu ao longo destes seis anos de trabalho. Assumidamente rubro-negro, ele afirma que uma coisa é indispensável para quem quer trabalhar com jornalismo esportivo: amor. “Se você não tiver amor, você começa achar a rotina de treino e jogo chata, aí vai desistir da profissão”, ressaltou.
Ele disse que na hora de escrever tenta ser o mais imparcial possível, mas quanto está no estádio mesmo a trabalho, não deixa de comemorar um gol rubro-negro. “Como não vou comemorar um gol do Vitória? Quando não posso gritar, às vezes, rola uns tapas na mesa, mas tenho que comemorar de algum jeito”.
Quando perguntei sobre um jogo inesquecível, ele foi enfático: “o jogo de inauguração da Arena Fonte Nova. Eu estava na expectativa para ver quem faria o primeiro gol na nova Arena, o time que ganharia o primeiro jogo e o Vitória ganhou a partida por 5 a 1, por isso foi muito bom”.
Angelo disse também que jogou um ano na categoria de base do Leão, era meia e garante que não foi por falta de talento que desistiu de ser jogador. Eu fingi que acreditei e me lembrei da frase de Martin Seel, “quando assistimos a esportes, gozamos em nossa imaginação, de vidas que jamais teríamos talento ou tempo para viver”. Mas como ele não deu certo jogando, o jornalismo esportivo ganhou um profissional talentoso e gente fina.
Nossa tarde de quarta-feira foi um dia para ter mais certeza do que a gente quer para a vida. Que venham as próximas pautas!