24 de março, Lincoln e o amor pelo que fazemos

24 de março, Lincoln e o amor pelo que fazemos

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Capa do caderno de Esportes do dia 24 de março.
Foto: Arquivo pessoal/Instagram

24 de março sempre vai ser um dia marcante na minha vida. Independente de ser meu aniversário, sempre acontecem coisas no mínimo surpreendentes.  Desta não foi diferente. Quer dizer, foi sim. Ao contrário da maioria dos “futuros” nunca tive uma experiência dentro da redação. Foi exatamente por isto que entrei no Programa Correio de Futuro: Para conhecer e entender o funcionamento da rotina de um jornal, seja este impresso ou online.

Quando soube que iria passar primeiro pelo jornal impresso logo pensei: “Com certeza Linda (Bezerra) vai me colocar para cobrir um enterro”. Afinal, vida de estagiário não é fácil e, cá entre nós, eu não sou tão sortuda assim. Cheguei, no meu aniversário, e não fui pra um enterro. Ufa!  Fui escalada, porém, para acompanhar Miro Palma, repórter de Esportes e setorista do Bahia, que iria entrevistar o jogador Lincoln, destaque no jogo Ba-Vi de domingo (23).

Miro Palma foi escalado para uma pauta sobre o jogador do Bahia, Lincoln, no Fazendão

Miro Palma foi escalado para uma pauta sobre o jogador do Bahia, Lincoln, no Fazendão

Nunca fui fã de esportes, nem de futebol. Não sei nome de jogador algum, nem de placar do Ba-Vi. E se eu dissesse que ontem, por algum acaso, acompanhei ao resultado do clássico? Ironia do destino, só pode. Li às matérias de Esportes do jornal do dia logo que cheguei na redação e já me senti a “expert”. Afinal, pra alguém que nunca teve interesse pelo assunto, até que estava sabendo de algo, né? E estava mesmo. Pelo menos sobre o Lincoln e sobre o jogo do dia 23. Meus colegas, “futuros”, e amigos pessoais, não faziam nem ideia de quem era o jogador, nem o que ele tinha feito de importante. Sabe quando você explica algo para seus colegas, na escola – algum assunto que você estudou –  e todos prestam atenção? Foi assim que me senti. Engraçado como as coisas são.

#COMOFOI Miro Palma chegou por volta de 13 horas. Eu e Helen, também “futura”, já estávamos preparadas para acompanhá-lo. Antes de saír da redação ele foi instruído pelo seu editor, Eduardo Rocha, e fez um roteiro de perguntas. Perguntamos se ele já tinha alguma ideia de qual seria o espaço da pauta no jornal. Ele não sabia ainda, mas disse que havia grandes chances de render uma capa ou contracapa do caderno, visto que a repercussão do jogo havia sido imensa. No caminho para o Centro de Treinamento Osório Villas-Boas, mais conhecido como Fazendão, o enchemos de dúvidas. Ele foi muito simpático, respondendo sobre sua vida pessoal e carreira como jornalista. Naquela conversa, de uma coisa eu tive certeza: Só pode ser jornalista esportivo àquele(a) que realmente gosta deste universo.

#SRNIVALDO No nosso caminho ao Fazendão notei um personagem interessante. Sr. Nivaldo dos Santos, 54, ficou boa parte do tempo em silêncio. Motorista da Rede Bahia há 20 anos, sua presença passa leveza e tranquilidade. Por alguns pode não ser notado, exatamente por ficar calado. Seu papel, porém, é essencial. É ele que transporta todos os repórteres nas pautas de rua aos seus destinos (que variam desde Fazendão, do outro lado da cidade, à ACM, Barbalho, etc) e os espera, pacientemente. Conhecedor dos atalhos de Salvador, ele é querido entre os repórteres e mostrou-se compreensivo com relação ao seu papel, visto que em muitos momentos os jornalistas estão preparando as perguntas ou já escrevendo as matérias e o contato e conversas podem ser restritos. Quando o questionamos sobre  pautas mais “pesadas”, como o caso de tiroteios ou coisas parecidas, ele nos disse que eram normais, que o que restava para ele era ficar parado. Desta vez, segundo Miro, tivemos uma pauta “light”.  Apesar da distância, pudemos aproveitar a viagem para conversar com o repórter e com o motorista e, também, para apreciar a nossa cidade.

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Sr. Nivaldo dos Santos é motorista da Rede Bahia há 20 anos
Foto: Naiana Ribeiro

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Vista do carro do Correio* no caminho para o Fazendão
Foto: Naiana Ribeiro


#FAZENDÃO 
Ao chegarmos no Fazendão, no horário marcado, fomos recebidos por Jayme Brandão,  Assessor de Imprensa do Esporte Clube Bahia. Lincoln apareceu e foi bastante simpático. Durante os 20 minutos de entrevista ele contou sobre sua experiência no exterior e sobre sua carreira, além de revelar algumas questões íntimas, relacionadas à morte de seu pai, quando ele tinha apenas 12 anos. O jogador pareceu muito à vontade, ao contrário do que tínhamos ouvido falar. O fotógrafo do Correio* chegou no final da entrevista, acompanhado de outro motorista, e fez algumas imagens naturais e outras posadas do jogador.

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O centro de treinamento foi inaugurado pelo clube em 1979 e fica no bairro de Itinga, na Região metropolitana de Salvador
Foto: Naiana Ribeiro

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Lincoln, Miro, Jayro e Helen momentos após a entrevista
Foto: Naiana Ribeiro

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Depois do sucesso da entrevista, tiramos uma “selfie” com Miro Palma para comemorar e partimos para a redação
Foto: Helen Carvalho

Antes das 16h já estávamos de volta à redação. No caminho de volta Miro ligou para o editor e contou que a entrevista tinha rendido muitas coisas boas e que, provavelmente, poderia ser transformada em uma “ping-pong”. Ao chegarmos na redação, ajudamos na decoupagem dela.

#25DEMARÇO O mais legal de tudo foi ver que algo que você ajudou, nem que seja um pouco, foi parar na contracapa, em uma chamada na capa e ocupou duas páginas de entrevista no caderno de Esportes do dia 25 de março. Que pena que não rolou o crédito da colaboração.

A entrevista com Lincoln rendeu bastante coisa no jornal de terça, 25

#ESPORTEÉPARAOSAPAIXONADOS Seja na redação, nos papos pelos corredores, na rua, ou no caminho para a pauta, foi possível perceber a paixão dos pertencentes à editoria de Esportes não só pelo que fazem – pela profissão – mas também pelo futebol baiano, que é o cargo-chefe do jornal Correio*. Se toda àquela história de ironia do destino é verdade, eu não sei. Sei, sim, que acabei o meu dia com a certeza de que gosto mais, hoje, do caderno de Esportes do que antes de ter passado pela editoria e com um grande respeito por quem trabalha com isto. A experiência de acompanhar Miro Palma e com o futebol baiano foi muito melhor do que eu pensava, e a grande lição do meu dia – literalmente, o dia do meu aniversário, 24 de março – lembrou-me daquela frase de Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida”.