Considerações de uma futura jornalista muito entusiasmada (Parte 2)

Considerações de uma futura jornalista muito entusiasmada (Parte 2)

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Quando perguntar não resolver, observe – Tanto Linda Bezerra quanto Jairo Júnior, colunista de política do Correio*, abordaram esse tema. Que confesso, nunca ouvi falar na faculdade! Os dois jornalistas disseram que observando as fontes se pode conseguir ótimas informações, aspas das pessoas ou até mesmo um furo. Linda deu um exemplo muito bom a respeito. Num caso de cobertura de enterro onde os familiares estão fragilizados e não querem dar depoimentos, a observação é fundamental. O que as pessoas dizem entre elas sobre o falecido ou até mesmo as atitudes delas pode se tornar uma manchete no dia seguinte.

O compromisso é com os fatos – De acordo com Telma Alvarenga, manter a amizade das fontes, até para que elas lhe tragam novas matérias, é importante. Porém, o maior compromisso do jornalista é com os fatos. Publicar uma matéria que contenha informações confirmadas a respeito de uma pessoa, que por sua colaboração com o jornal não quer as mesmas sejam divulgadas, é obrigação do repórter. O interesse público vem em primeiro lugar, mesmo que se perca uma fonte.

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) – Jairo Júnior e Juan Torres, editor de cidade do Correio*, falaram como conseguiram furos somente utizando informações disponíveis na web. Por exemplo, Jairo disse que a partir da reunião e cruzamento de informações, que depois da política de transparência estão sendo abertas na internet, em um software como o excel, pode-se conseguir informações novas para grandes matérias. Juan, inclusive, teve a matéria intitulada “1000 vidas”, publicada em 2011, indicada ao Prêmio Esso de Jornalismo. Na confecção dessa matéria foi utilizado esse método de reunião e cruzamento de dados, que também pode ser denominado jornalismo de dados.

Para finalizar, gostaria de falar um pouco mais sobre a RAC. Na faculdade alguns professores, não sei se por falta de informação, falam dessa vertente do jornalismo com certo desdém. Até mesmo utilizando de expressões pejorativas como “jornalismo sentado” para denominá-la. Eu descordo dessa visão, principalmente pelos exemplos de sucesso que nos foram apresentados por Juan Torres, e até pelo próprio sucesso do jornalista na utilização desse tipo de método.

As sociedades vem evoluindo com o auxílio da tecnologia e o jornalismo tem que se adequar a essa realidade. A utilização das ferramentas disponíveis na internet para a confecção de matérias é uma das provas de que o jornalismo, em vez de decadente como muitos dizem, está sim evoluindo com o passar do tempo. É necessário que o próprio profissional fique atento a evolução para acompanhá-la.

Resolvi me inscrever no Programa Correio de Futuro pela experiência, que tem se mostrado engrandecedora, mas também para suprir a falta de conhecimento prático que encontro na faculdade. Minhas expectativas estão sendo satisfeitas, sem sombra de dúvida!

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